O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 15/09/2021
Na série ‘’Eu Nunca…’’ produzida pelo serviço de ‘’streaming’’ Netflix, a protagonista Davi tenta se encaixar depois de sofrer a perda do pai. Para isso, ao frequentar festas, a adolescente se vê obrigada a ingerir bebidas alcoólicas para se enturmar. Nesse sentido, a ficção é análoga à realidade brasileira, onde o abuso de álcool se faz glamourizado ignorando os graves riscos à saúde coletiva e individual.
Em primeira análise, cabe destacar que a prática de ingestão de bebida alcoólica está cada vez mais precoces em jovens. Conforme expõe o Centro de Informação sobre Saúde e Álcool (CISA) o jovem brasileiro começa a beber com 12,5 anos, tal fato pode ser explicado pela massiva glamourização do etilismo, presente em séries juvenis como ‘’Eu Nunca…’’ onde passa-se a imagem que jovens necessitam da bebida para serem populares. Outro fator que corrobora com a prática precoce é o viés de confirmação, conceito cunhado pelo psicólogo Peter Wason, no qual o indivíduo tende a imitar o comportamento de um grupo para se sentir pertencente. Dessa forma, o costume do abuso do álcool é naturalizado,
Ademais, é necessário destacar que o excesso de consumo de bebidas alcoólicas em recorrência pode ocasionar problemas individuais e coletivos, isso porque o consumo exacerbado da droga lícita causa doenças como diabetes, hepatites, cirrose e engatilhar doenças mentais como depressão e ansiedade. A exemplo disso estão os dados da Organização Mundial da Saúde que demonstram que aproximadamente 3 milhões de pessoas morreram em decorrência do abuso de álcool em 2018. Vê-se, pois, que a prática é extremamente danosa ao ser humano, pondo sobre pressão também o sistema de saúde brasileiro já que os danos poderiam ser evitáveis com abstinência ou consumo moderado.
Portanto, diante dos danos ofertados pelo excesso de consumo de bebidas alcoólicas urge a necessidade de ações para atenuar a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, a criação de programas especiais anti-alcoolismo, similar ao projeto Proerd, que visam alertar os jovens dos malefícios pessoais e sociais ofertados pelo uso exacerbado e precoce do álcool. Tal ação pode ser feita por meio de palestras com médicos e psicólogos abordando a questão da saúde física e mental, e ‘’workshops’’ com Agentes de Trânsito, da Delegacia da Mulher e da Polícia Civil demonstrando os impactos sociais do alcoolismo. Desta forma, será possível alertar o jovem sobre os perigos do etilismo e assim, formar adultos mais conscientes e sóbrios.