O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 21/09/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro,  assegura o direito inalienável à segurança e à saúde dos cidadãos. Todavia, com o abuso no uso de álcool crescendo vertiginosamente na sociedade, tais pressupostos da Carta Magna não são legitimados, expondo não só o consumidor ao perigo, como também os demais indivíduos. Tal fato é percebido, ora no surgimento e agravemento de doenças, ora no aumento da violência causada pelos efeitos da substância.

Em verdade, a ingestão exacerbada de bebidas com teor alcoólico gera problemas graves à saúde, bem como tende a aumentar a proporção de infecções simples. Nessa perspectiva, quando Rousseau, filósofo suíço, afirma que o homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado, é possível fazer uma analogia a situação na qual o alcoólatra se coloca, acorrentado pelo próprio vício, condendando seus dias de vida, devido à negligência direcionada à saúde, tanto física, quanto psicológica. Dessa forma, a incapacidade, muitas vezes, de perceber o perigo de ingerir álcool cotidianamente e a inserção dos jovens gradativamente mais cedo nesse meio, fomenta o crescente uso desse entorpecente. Assim, torna-se um hábito rotineiro que pressupõe doses maiores para se alcançar os mesmos efeitos tidos no início do uso, o que acarreta a dependência química, afetando todo o círculo social da pessoa, estando vulnerável ela, seus familiares e amigos, colaborando para o surgimento de sintomas depressivos.

Outrossim, é notório que, pelo seu efeito de instabilidade no sistema nervoso, o álcool é promotor das mais variadas formas de violência, visto que inibe o senso crítico do indivíduo. Sob esse viés, a substância, quando ingerida em grande quantidade, contraria a ideia defendida por Stuart Mill, economista britânico, de que sobre seu próprio corpo e mente o homem é soberano, pois, estando sobre o efeito dessa droga, são tomadas atitudes que, na maioria da vezes, a pessoa não teria tido quando sóbria. Dessa maneira, acidentes de trânsito, discussões, decisões importantes, entre outros fatos ganham consequências maiores quando o álcool se faz presente.

Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo invista na expansão de campanhas, de alcance nacional, sobre o uso abusivo do álcool, durante todo o ano, por intermédio de parcerias com digitais influencer’s e com mídias televisivas, além de ser tratado nas escolas, efusivamente, com o fito de atenuar os problemas de saúde, em jovens e adultos, em decorrência desse problema. Ademais, é impreterível que o Estado aumente as redes de clínicas de reabilitação para áreas de difícil acesso, a fim de minimizar os atos violentos causados pelo álcool.