O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 21/01/2022
Mais de três milhões de pessoas morrem a cada ano como resultado do uso de bebidas alcoólicas e o consumo desse gênero no Brasil é maior que a média mundial segundo a Organização Mundial da Saúde. Conquanto não seja uma problemática recente, o alcoolismo ainda gera múltiplos prejuízos à saúde dos indivíduos e ao bem-estar da comunidade. Por isso, cabe analisar as gêneses e os impactos do abuso de álcool na sociedade brasileira para erradicar essa mazela social.
Nesse sentido, de acordo com o Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, em seu ensaio “Sociedade do Cansaço”, vive-se a insana procura do ser humano pela alta produtividade em quaisquer meios, mesmo que retire dele os prazeres e a sanidade física e mental. Assim, há a banalização do uso abusivo do álcool no Brasil, por quanto é visto como uma válvula de escape. Além disso, existe uma glamorização do consumo de bebidas alcoólicas por parte de anúncios publicitários, que incentivam novos consumidores, e eles não têm acesso a informações confiáveis quanto a sua nocividade. Desse modo, destaca-se que apesar de ser socialmente aceito, o álcool é uma droga legalizada e por conseguinte é imprescindível advertir sobre os danos causados pela sua ingestão excessiva.
Ademais, no filme “Os Infratores”, baseado em fatos reais, é narrado a vida de uma família que produz uísque durante a época da Lei Seca nos EUA e são obrigados a pagar propina aos policiais para manter seu comércio. Nesse viés, fica demonstrado que somente o proibicionismo não é eficaz com relação ao uso abusivo de álcool. Assim, inúmeros resultados negativos podem ser constatados no Brasil quando há um descontrole no uso de substâncias entorpecentes como as bebidas alcoólicas, e dentre eles estão os acidentes automobilísticos, pois na cidade de São Paulo foram registradas quase mil mortes envolvendo embriaguez ao dirigir conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito. Embora tenha havido uma redução nas ocorrências com o Novo Código de Trânsito (por prever punições mais severas) essa estatística continua assustadora. Não obstante, os homicídios são mormente praticados por pessoas embriagadas. Logo, urge reverter esses números desoladores.
Destarte, é mister conter os abusos do álcool na sociedade brasileira hodiernamente. Para isso, o Ministério da Saúde deve conscientizar a população, por meio de campanhas midiáticas informativas sobre os riscos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, tais como a Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo. Paralelamente, as Organizações não Governamentais, como as Associações de Alcoólicos Anônimos, devem ampliar suas assistências com a ajuda do Governo Local, por meio de apoio psicossocial aos indivíduos com histórico de alcoolismo. Só assim, o Brasil não será protagonista de estatísticas funestas e minimizará os infortúnios concebidos pelo descontrole da ingestão de álcool.