O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 23/02/2022
Em uma sociedade caótica que se assemelha em vários aspectos com um mundo distópico, a população leva-se frequentemente ao uso de drogas como válvula de escape para uma realidade, mesmo que distorcida, mais simples. Governantes ao longo do tempo tentam implementar medidas de segurança social que acarretam no cerceamento do uso de álcool em lugares públicos, com a prerrogativa da redução da criminalidade.
O discurso exercido por membros do legislativo para a redução da criminalidade é eufêmico, mas não desprezível. O Relatório do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool de 2019 apontou que cerca de 12 mil internações hospitalares têm como agente precursor o uso excessivo de álcool. Mesmo que seja considerável a restrição da ingestão de bebidas alcoólicas, esse não é o verdadeiro problema da criminalidade e violência no Brasil. O último censo aponta que 13,5 milhões de pessoas vivem em condições de miséria, dado que condiciona a criminalidade, visto que é uma camada periférica da sociedade sem as mínimas condições de salubridade e estabilidade social.
Podemos analisar esse problema pela óptica de Durkheim como uma anomalia social, principalmente após a revolução industrial, que transformou a sociedade em uma grande máquina produtiva. Um grupo de pessoas que se desintegram socialmente, saindo do padrão considerado saudável ou normal. O abuso de tal droga não deve ser considerado apenas como anomalia. Tal distorção é responsável por gerar danos permanentes na saúde global, uma vez que o álcool é um composto agressivo ao corpo e dificulta as atividades metabólicas. Devemos analisar o alcoolismo não somente como um problema social, mas também como uma questão de saúde pública, visto que, segundo a oms, 3,3 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do álcool.
Sendo assim, constatamos que o capitalismo brutal gerado com a revolução industrial utiliza-se de novas máquinas, agora alimentadas com o álcool para se esquecerem do constante abuso psicológico que sofrem. É dever do estado assegurar medidas preventivas e conscientização durante todo o processo formativo em escolas públicas e particulares, visando os malefícios do álcool.