O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 05/04/2022
A Revolta da Cachaça, episódio ocorrido durante o período colonial, ocorreu devido ao enorme descontentamento popular em relação ao aumento dos impostos cobrados pela metrópole portuguesa. Diante disso, tal fato demonstra a relação dos brasileiros com a substância, ao qual é definida como um produto cultural. Apesar do hiato temporal, o consumo de bebidas alcoólicas continua sendo de grande estima para a sociedade, entretanto, hodiernamente, ocorre de forma exacerbada. Nesse sentido, é válido analisar o escapismo, bem como o incentivo naturalizado do álcool como fatores da problemática.
A princípio, pontua-se o escapismo da rotina estressante como motivador do abuso do álcool. Sob essa ótica, a segunda geração do romantismo, corrente que preconizava o exagero e o pessimismo, alude perfeitamente a essa situação de evasão da realidade, visto que o consumo de álcool estava associado ao distanciamento das dores da alma. Nesse sentido, fica claro que a ingestão abusiva é resultado de uma vontade de escapar da realidade nos brasileiros.
Ademais, é válido ressaltar o consumo naturalizado e incentivado pela cultura como fonte desse mal nos dias de hoje. De acordo com o conceito de ‘‘Fato Social’’, do sociólogo Émile Durkheim, instrumentos sociais e culturais determinam a forma de pensar, agir e sentir dos indivíduos em sociedade. Nesse viés, existe um paralelo forte entre essa teoria e o abuso das substâncias alcoólicas, uma vez que o indivíduo sente-se coagido à ingestão devido à pressão social circundante. Diante dessa perspectiva, tal problemática merece especial atenção pois pode acarretar consequências danosas.
Portanto, fica claro que o consumo abusivo do álcool na sociedade brasileira advém da evasão do cotidiano estressante, somado ao incentivo de seu consumo. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, junto ao Ministério da Educação, instruir sobre os efeitos nocivos do exagero alcoólico. Tal ação será realizada por meio de campanhas publicitárias e palestras educativas, com profissionais da área da saúde, com finalidade a diminuir a romantização e naturalização desse consumo exagerado pela população brasileira.