O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 27/09/2022

No livro “Um lugar bem longe daqui”, a personagem Kia foi abandonada aos 9 anos de idade e teve sua família desmoronada pelo alcoolismo do pai. As consequências do excesso de bebidas alcoólicas são diversas e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o álcool é responsável por 3 milhões de mortes por ano. No contexto brasileiro atual, há um preocupante crescimento do consumo de álcool entre os jovens, intensificado pela romantização da bebida e pela falta de fiscalização.

Primeiramente, a romantização do uso de bebidas alcoólicas nas mídias sociais colabora com o crescimento do consumo entre jovens. Atualmente, ingerir álcool excessivamente tende a ser tratado como algo “descolado” e até mesmo como solução dos problemas, a exemplo da música “Alô Ambev”, que diz que a produção de cerveja deve aumentar para camuflar uma decepção amorosa. Logo, vê-se que a romantização do álcool na mídia influencia o uso entre os jovens.

Além disso, a falta de fiscalização da venda de bebidas alcoólicas intensifica o consumo entre menores de idade. De acordo com a lei 13106 de 2015, é crime vender ou fornecer bebidas para crianças e adolescentes. Entretanto, tal lei não é cumprida plenamente no Brasil, visto que, segundo a Unifesp, 80% dos adolescentes já beberam alguma vez na vida. Enfim, o consumo precoce de álcool aumenta as chances de futuras dependências químicas, tornando a fiscalização de venda de bebidas alcoólicas impreterível.

Portanto, o crescimento do consumo de álcool entre os jovens no Brasil é preocupante. Cabe ao governo, por meio do Ministério da Saúde, criar propagandas na mídia, principal difusor de informações da atualidade, que apresentem as consequências do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alertem pais e responsáveis quanto ao uso do álcool por crianças e adolescentes. Além disso, devem ser criados órgãos fiscalizadores de venda de bebidas para menores de idade. Isso deve ser feito para que a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas não seja romantizada, o consumo entre os jovens diminua e casos, como o da personagem Kia, não sejam reincidentes.