O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 07/10/2022
De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a justa medida, ou seja, a moderação, é necessária para evitar que os impulsos humanos levem os indivíduos a extremos de comportamento. Na atual sociedade brasileira, porém, muitos não adotam atitudes moderadas diante do uso de álcool, abusando dessa substância. Assim, é imprescindível perceber como um cotidiano estressante, aliado à falta de atenção governamental a esse imbróglio, contribuem para a existência desse cenário.
Em primeira análise, convém ressaltar que o consumo de álcool em excesso é motivado por um estilo de vida que exige do indivíduo um alto nível de rendimento continuamente. Nesse sentido, conforme descrito pela jornalista Eliane Brum, no texto “Exaustos, correndo e dopados”, diante de um ritmo de vida acelerado que exige produtividade constante, os indivíduos se dopam. Dessa maneira, verifica-se que alguns indivíduos, ao buscarem alívio da pressão sob a qual estão submetidos no âmbito laboral ou educacional, consomem bebidas alcoólicas de maneira imprudente.
Em segunda análise, é importante ressaltar que a falta de campanhas governamentais que alertem para o risco do abuso de álcool contribui para a persistência desse entrave. De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal, o governo deve promover não apenas o tratamento das doenças, mas também a prevenção. Sob essa perspectiva, visto que a ingestão excessiva de substâncias alcoólicas causa problemas ao organismo, como danos ao fígado, o poder público mostra-se negligente ao não realizar campanhas contra esse consumo de maneira desmedida, de modo a educar o público a evitar exageros, dado que, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele.
Portanto, indubitavelmente medidas são necessárias para combater o abuso de álcool. Desse modo, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, instruir o público contra o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Isso deverá ocorrer por intermédio de campanhas televisivas que alertem para os riscos do uso desmedido dessa substância. A exibição deverá ocorrer durante o horário nobre, a fim de atingir o maior público possível. Assim, a justa medida idealizada por Aristóteles estará mais próxima de ser alcançada.