O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
No artigo 5º da Constituição Federal de 1988, é garantida a isonomia: igualdade de todos perante a lei. Entretanto, nota-se que, no Brasil contemporâneo, uma parcela da população não reconhece a validade da legislação, visto que o abuso de autoridade se vale de posições privilegiadas para subverter as normas em prol de benefícios. Nessa perspectiva, há o fortalecimento de uma estrutura social hierarquizada que legitima a agressão simbólica. Diante disso, a educação familiar inadequada e a valorização díspar das profissões são causas da problemática.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a influência parental negativa sustenta esse cenário desigual. Nesse sentido, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família é um mecanismo primário de socialização responsável por incutir valores e comportamentos socialmente aceitos. Sob essa ótica, constata-se que o desvio de poder representa uma conduta fomentada no ambiente familiar, uma vez que os pais, encarregados da formação pessoal das crianças, transmitiram noções de superioridade aos seus filhos. Desse modo, esses menores de idade se desenvolvem de forma prejudicial à convivência comunitária harmônica devido à criação de um padrão comportamental nocivo que inferioriza as demais pessoas.
Ademais, vale destacar o reconhecimento distinto das ocupações laborais. Nesse viés, a divisão vertical da sociedade faz com que determinados cargos atribuam um “capital simbólico”, conceito cunhado pelo sociólogo Pierre Bourdieu que diz respeito ao status social, mais elevado. Tendo isso em vista, é recorrente a ocorrência de intimidações justificadas pela localização privilegiada nessa estrutura de poder perversa. Dessa maneira, os grupos dominantes praticam a violência simbólica - na qual não há agressão física, mas causa danos morais e psicológicos -, a exemplo das ofensas verbais.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de formar cidadãos empáticos e conscientes, cabe às escolas estimularem, por meio de debates educativos, o desenvolvimento de ideais voltados ao respeito e à cidadania nos pais e nos estudantes. Para isso, essa ação deverá ser realizada em eventos escolares, dado que tanto os alunos quanto os seus responsáveis estarão presentes. Além disso, com a finalidade de equiparar o reconhecimento das profissões, urge que o Ministério da Educação realize, por intermédio da participação de profissionais de áreas diversas, um vídeo que abordará a relevância de cada ocupação laboral. Tal obra audiovisual será exibida aos discentes do ensino médio, para que esses sejam auxiliados na escolha de suas carreiras e reconheçam a importância de todas elas. Assim, os brasileiros identificarão a isonomia como um agente agregador da comunidade e o país será mais justo, conforme é previsto na Constituição.