O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 02/02/2021
Existe um jargão popular que diz: “Você sabe com quem está falando?”. Ele representa os abusos cometidos por pessoas insistentes em desobedecer leis vigentes a todos da sociedade; exigirem tratamento diferenciado por serem uma autoridade, ou por ter parentesco com uma, enfim, um desejo de sentir-se especial. Esse comportamento reprovável é consequência de uma comunidade cada vez mais competitiva, narcisista, egoísta e, consequentemente, com falta de empatia pelo próximo. Porém, ainda há a figura da lei para impor limites a essas atitudes.
Em primeiro lugar, o transtorno de personalidade narcisista é uma doença, causada pelo sentimento imaginário de superioridade desenvolvido pelas pessoas, mais comum em quem teve boas condições de criação, oriundas de uma classe social mais privilegiada. Por causa dessas facilidades na vida, quem possui esse transtorno não consegue se colocar na perspectiva do próximo e, por conta disso, destrata seus semelhantes, por meio de condutas repugnantes; tal qual a do desembargador que ofendeu um guarda municipal após este multá-lo por não utilizar máscara na praia.
Na contramão desse comportamento, entrou em vigor a lei 13869, visando impedir, por meio de medidas administrativas (perda e afastamento do cargo) que as autoridades cometam abuso de poder, ou seja, prevalecerem dos cargos para satisfazer vontades particulares como, por exemplo, andar sem máscara na praia, não se submetendo aos esforços que a sociedade faz para conter a pandemia. Tal privilégio deve ser repelido pelo bem do interesse público.
Conclui-se que, diante do exposto, a nova lei e demais outros esforços aprovados democraticamente no combate ao abuso de poder de autoridades beneficiam a sociedade. Mas, além disso, deveria haver maior empenho em tratar pessoas com o transtorno narcisista, um mal intrínseco ao abuso de poder; porque a maior divulgação dos males que essa doença pode causar faria mais pessoas procurarem a orientação de um psicólogo para tratar desse mal intrínseco ao abuso de poder.