O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 05/01/2021
O livro “A Revolução dos Bichos”, escrito pelo inglês George Orwell, retrata a rebelião dos animais da fazenda da Granja do Solar, os quais estavam desconfortáveis com os maus tratos dos proprietários. Nesse ínterim, os porcos, notadamente os mais inteligentes da fazenda, elaboram um plano e expulsam os donos do local, porém logo tornam-se o que juraram derrotar e implantam uma tirania na fazenda, afirmando que “todos são iguais, mas alguns são iguais do que os outros”. De forma análoga o abuso dos porcos, estes que metaforicamente simbolizam aqueles que ocupam posições de poder, pode ser associado ao contexto brasileiro hodierno. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para o Brasil, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas ao racismo e ao elitismo.
Mormente, o racismo é o principal fator no que tange a essa problemática. Nesse sentido, é evidente que a população negra é a principal vítima do despotismo de poder, visto que, originalmente, no Brasil, a polícia foi criada para proteger a sociedade dos escravos recém-libertos, em 1889, pela Lei Áurea. Dessa forma, a perpetuação dessa perseguição é a manifestação de rastilhos históricos de um passado escravocrata e preconceituoso. A exemplo disso, o fato noticiado pelo portal de notícias G1, no qual um homem negro foi enforcado perto da entrada de um Carrefour, sem ter feito nada e nem resistido à abordagem, evidencia a tese supracitada.
Outrossim, a existência do elitismo nos cursos superiores brasileiros também contribui para esse impasse. A esse respeito, é válido citar o pensamento de Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, o qual afirma que “quando a educação não é libertadora, o oprimido torna-se o opressor”. Nessa lógica, pode-se citar que esse raciocínio está intrinsecamente atrelado ao panorama atual, visto que o ensino superior, principalmente, cursos ligados à área do direito, promovem um status de superioridade para o indivíduo.