O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

“O Brasil é um país do futuro”, enunciou Stefan Zweig, historiógrafo austríaco, em uma de suas primárias vindas à nação. No entanto, quando se observa o crescente abuso de poder e de autoridade em território nacional, identifica-se que o referido presságio não saiu da teoria. Nesse sentido, ressalta-se que as razões que contribuem na manutenção desse infortúnio no corpo social brasileiro está intimamente ligado à corroboração dos cidadãos a tais ações, bem como a falta de vigor na efetivação de leis.

Consoante à Teoria Habitus, elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Logo, tal tese exemplifica, acertadamente, o ciclo de ações que promove a manutenção dos excessos promovidos por autoridades políticas e policiais, como também o abuso de poder de grandes empresários e artistas, por exemplo. Outrossim, esse cenário vigora no Brasil devido a banalização de “carteiraços”, os quais são incitados pela corrupção existente no sistema executivo, anulando assim o cumprimento das leis vigentes.

Dessarte, sob a perspectiva do filósofo grego Aristóteles, o Estado exigia que, em nome da justiça, todos fossem tratados com igualdade independente do seu segmento social. Entretanto, o cenário idealizado por Aristóteles, na contemporaneidade é utópico, visto que é notável que a justiça, em vasta maioria, atua a favor daquele que possui um maior poderio e ou influência. Dessa forma, para o Brasil tornar-se um país do futuro como Stefan Zweig vislumbrou deliberações devem ser feitas.

Isto posto, depreende-se a necessidade da criação de uma rede online de denúncias, a qual deve ser desempenhada pelo Ministério Público em união com faculdades públicas de Ciências da Computação e com a Polícia Federal, para assim promover a efetivação das leis. Em tal caso, a questão do abuso de poder poderá ser amenizada.