O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Inspirada pelo positivismo de Augusto Comte, a inscrição da bandeira nacional brasileira sugere que o progresso só é conquistado mediante o estabelecimento da ordem. Todavia, o caos promovido pelo problema do abuso de poder e de autoridade impede que a cidadania progrida no Brasil, pois, coercida a obedecer, indívíduos de cargos elevados sem questionamento, a população se desarticula das decisões de âmbito nacional. Esse relevante problema decorre, principalmente, da falta de mobilização da sociedade civil e da ineficiência estatal.
A princípio, nota-se a negligência da população com relação ao seu papel de cidação, o que se configura como um fato social. Este conceito, criado pelo sociólogo francês Émile Durkheim, afirma que valores exteriores e gerais se impõem sobre o sujeito de modo coercitivo e moldam seu comportamento. Nesse viés, a ausência de movimentos sociais e mobilizações coletivas que visem a melhoria da participação política, por exemplo, desestimula os brasileiros na busca por soluções. Como consequência dessa inação, elevam-se o número de casos de autoridades estatais que se utilizam de suas influências para objetivos pessoais, de maneira a ignorar diversos protocolos inerentes a suas ocupações.
Destaca-se, ainda, a negligência estatal no enfrentamento do problema. Segundo a teoria do “Contrato Social”, do filósofo inglês John Locke, o Estado tem a função de suprir todas as necessidades básicas da população, como o exercício da igualdade. No entanto, há uma violação desse contrato no Brasil, dado que a Constituição Federal de 88 garante esse direito, porém a regulamentação e, principalmente, a execução dessas leis não são capazes de superar o problema da opressão de pessoas com títulos de cargos superiores sobre o resto do corpo social, que mal exerce seus direitos plenamente. Esse cenário reforça a posição do país entre as piores do mundo no setor de corrupção, por exemplo, já que as ações de quem tem poderio não são contestadas.
Destarte, considerando as informações supracitadas, é evidente a necessidade de mobilização do conjunto civil e de atuação mais efetiva do Estado. Nesse sentido, as empresas de rádio, TV e mídias digitais — devido a sua grande influência na sociedade — devem criar campanhas de conscientização sobre a real função das entidades políticas na nação e as atitudes de seus integrantes que não devem ser ignoradas, por meio de anúncios publicitários, cobertura jornalística e obras de ficção engajadas, com o objetivo de despertar o interesse da população pela solução do problema. Além disso, cabe ao Poder Legislativo criar e aprimorar leis na área em questão, de modo a se equiparar com as melhores experiências internacionais, para, assim, restabelecer-se a ordem necessária para o avanço da pátria.