O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Em meados do ano de 2020, houve o assassinato de George Floyd por um policial nos EUA, esse acontecimento desencadeou diversos protestos a favor de vidas negras e contra o abuso de poder por parte dos policiais. No Brasil, casos semelhantes ao de George ocorrem todos os dias, contudo, além da violência policial, o machismo estrutural também é um grande caudor da problemática em questão. Desta forma, é necessário analisar o abuso de poder e autoridade em questão no Brasil a partir de uma dimensão racial e também de um ponto de vista da cultura patriarcal do país.
Primeiramente, durante cerca de 300 anos, a população negra foi escravizada no Brasil e, até hoje, os efeitos negativos são sentidos pela população afrodescendente. O abuso de poder está intimamente ligado ao racismo, visto que, a maior parte dos mortos e abordados por policiais são negros. Ademais, é possível observar o uso equivocado e abusivo de autoridade policial nos inúmeros casos realatados de invasão à propriedade quando há operações nas comunidades carentes e os agentes entram nas casas sem um mandato.
Em segundo lugar, o abuso de poder também está ligado a uma questão de gênero, sendo um grande causador dos feminicídios diários. No passado, o país era regido por homens e as mulheres não possuiam liberdade, atualmente, no entanto, esse cenário mudou e os direitos femininos são muito mais presentes. Infelizmente, a ideia de superioridade e poder masculino ainda está difundida e, por esse motivo, alguns homens se sentem no direito de manter-se no controle sobre a mulher. Sob esse viés, pode-se concluir que os casos de assassinato de mulheres devido ao fim do relacionamento, estupros e abusos sexuais ou psicológicos ocorrem devido à autoridade que o homem pensa ter sobre a mulher.
Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Além de julgar de forma mais severa os casos de feminicídio, o governo deve ensinar aos policiais a melhor forma de se comportar e agir, por meio da modificação na forma de ensino para a formação desses profissionais. Isso pode ser feito, por exemplo, com a introdução de aulas de sociologia nas academias policiais, a fim de apresentar aos agentes formas corretas de utilizar a sua autoridade. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que o abuso de poder policial diminua, assim como os casos de violência contra mulheres.