O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
“O homem é o lobo do próprio homem”. Essa máxima de Thomas Hobbes pode ser associada ao abuso de poder e de autoridade no Brasil. Afinal, práticas tirânicas executadas por um contingente específico provocam malefícios coletivos, como a censura, em meio à sociedade.
Em primeira análise, é perceptível que atitudes autoritárias foram previamente conservadas no trato social brasileiro, posto que essa conduta já foi efetivada em épocas políticas passadas. Comprova-se tal assertiva com a Constituição Outorgada de 1824 e a criação do poder moderador, as quais evidenciaram o esforço em limitar o acesso à política ao grupo dominante. Assim, institui-se uma hierarquia soberana que se repetiu em diversos outros períodos, como o Estado Novo e a Ditadura Civil-Militar.
Outrossim, nota-se que o autoritarismo também fomentou formas de repressão no Brasil, visto que isso é um aspecto para efetuar a manutenção desse poder, impedindo a sua destituição. Tal cenário é contemplado na música “Cálice”, interpretada por Chico Buarque, que ressalta o silenciamento de minorias devido à atuação da força militar. Soma-se a isso a influência do individualismo nessa questão, já que tal egoísmo implica na sobreposição de interesses entre divergentes. Por conseguinte, esse fator corrobora com a coibição da coesão social, segundo a Solidariedade Orgânica de Durkheim, e com a perpetuação de censuras e outras características totalitárias.
Ademais, é cognoscível que o conhecimento é imprescindível para a manutenção desse poder, uma vez que a informação detém coercitividade relativa aos indivíduos e exerce um controle implícito através da alienação da realidade. Denota-se a importância do alcance à cognição com o enredo da obra " A Revolução dos Bichos" de George Orwell, que ratifica o papel de plataformas cognitivas para o controle de outros animais. Nesse mesmo sentido, a ignorância estrutural é um cenário que também é refletido no Mito da Caverna de Platão, que reafirma tal poderio ao demonstrar apenas o ponto de vista favorável ao contingente totalitário, tornando-se uma verdade incontestável.
Portanto, ao considerar o exposto, é fato que o abuso de poder é nocivo ao Brasil e seus cidadãos. Logo, é preciso que o Estado, responsável pelo bem-estar social, reforce as diretrizes já existentes mediante a profissionalização de agentes governamentais, a fim de reafirmar a democracia no país e reprimir tentativas de atos autoritários. Além disso, é essencial que a mídia, difusora de ideias, partilhe informações acerca do exercício democrático por meio de incentivo a criação de conteúdo com ativistas, objetivando o aprendizado de indivíduos para evitar a submissão a essa violação. Desse modo, o homem deixará de ser seu próprio lobo.