O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 10/01/2021

No livro “A Fazenda dos Animais”, do escritor inglês G. Orwell, uma alegoria é montada através da crescente hegemonia do porco sobre os demais animais. Neste livro metafórico, uma retórica inicialmente de igualdade entre os “bichos” se transforma em tirania. Ainda que o livro se apresente como uma ficção, este traça um paralelo com a realidade empírica que é observadas em muitos países, em especial no Brasil, com o abuso de poder e autoridade. Logo, as raízes deste problema devem ser exploradas, discutidas e remediadas.

Infelizmente, em inúmeras ocaisões do cotidiano nos pedaramos com situações de abuso de poder, sendo estes tão frequentes que acunhou-se o termo “dar uma carteirada” como sinônimo de usar sua autoridade para fugir às regras. Embora esta realidade seja constante e frequente, o abuso de poder e autoridade não pode ser banalizado ou diminuído. Segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Ou seja, não se pode normalizar o abuso mesmo este sendo frequente. Ainda mais, esse comportamento não pode ser aceito socialmente, e deve ser corrigido, repreendido e execrado.

Em uma segunda análise, podemos apontar as falhas nas nossas lideranças em dar o exemplo, visto que algumas das pessoas com maior poder e autoridade no Brasil são as que mais abusam de sua posição, ora por tirar vantagens pessoais, ora diminuindo subalternos, ou ainda, eximindo-se de cumprir as leis. Isto é demostrando no livro “A Elite do Atraso”, do sociologo brasileiro Jessé de Souza, em que é feita uma denúncia das formas como a elite brasileira manipula o aparato jurídico e financeiro para perpetuar seus privilégios e tranformar pessoas em situação vulnerável na “ralé de novos escravos”. Consequêntemente, cria-se um ambiente de descrença nas instituições uma vez que estas se curvam aos interesses de quem é detentor de poder e autoridade.

A única maneira de acabar com esta injustiça é através de uma mudança cultural profunda. Cabe principalmente à sociedade fazer isto por tomar atitude em não tolerar abusos de poder e autoridade.  Pode-se fazer isso por meio de uma cultura de respeito ao próximo e que valorize a humildade e a coletividade ao invés do índivíduo. Deve-se reconhecer que o poder e autoridade de qualquer potentado emana da confiança fiduciária do povo em sua autoridade. A sociedade, por sua vez, deve estar ciente de sua força como conjunto e ser capaz de romper os grilhões do abuso em caso deste se mostrar presente. Ainda mais, as novas gerações devem ser instruídas a não visar o benefício próprio como prioridade,  mas sim o benefício coletivo. O efeito dessa mudança cultural, será transformar a “elite do atraso” em uma elite consciente e que consiga reconhecer q todos são iguais.