O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Na sociedade brasileira, desde a colonização, é notório como o abuso de poder sempre esteve presente, já que indivíduos utilizavam-se dos cargos ocupados e do poderio econômico para escravizar outros seres, geralmente pobres e negros. E, foi desse modo, que enraizou-se no amago cultural brasileiro o costume de obter privilégios pessoais baseados na autoridade ou poder de tal pessoa. Sendo assim, faz-se relevante abordar exemplos dessa prática, bem como discorrer sobre suas consequências para o desenvolvimento da pátria.
Em primeira análise, pode-se citar aquela que deveria ser o alicerce contra o abuso de poder, a classe política. Entretanto, estes que deveriam terminar com essa prática, fazem o inverso disso, utilizam-se de forma veemente da oportunidade de ser político para desviar dinheiro, superfaturar obras e montar organizações criminosas. No entanto, isso só ocorre devido ao artigo 29 da constituição federal que criou o foro privilegiado, ou seja, parlamentares não podem ser investigados pela justiça comum, apenas por instâncias superiores, o que facilita a continuação das práticas abusivas. Além disso, é possível citar a coletânea de livros de “Harry Potter”, tendo em vista que em todos exemplares fala-se sobre a supremacia da raça “sangue puro” contra os “sangue ruins”, em termos reais, seria o mesmo conflito que acontece entre ricos e pobres, empregadores e empregados, brancos e negros.
Em segunda análise, vale ressaltar às decorrências causadas em virtude dos abusos de poder. Imediatamente, é relevante citar o filósofo francês Michel Foucault e as relações de poder. Em sua teoria, Foucault afirmava que o poder está nos relacionamentos, porém, como estes são desiguais, ocorre uma utilização indevida por partes de pessoas de alta classe profissional e patrimonial. Logo, ao observar a sistemática vivida pela nação brasileira, pode-se comprovar a existência de um evidente abuso de poder em todas as esferas, principalmente jurídica, haja vista que os habitantes que possuem um patrimônio e relevância maior são os que salvam-se - ficam impunes de seus crimes - com maior facilidade. Formando assim, um paradoxo enorme com a grande multidão com poderes opostos que são condenados com uma maior velocidade e elevada quantidade.
Frente às discussões apresentadas, fica evidenciado a necessidade de uma mudança sociocultural na alma da população brasileira. Dessa maneira, as instituições educativas - expõem-se como excelentes ferramentas de transformações - podem, através de palestras e estudos aprofundados de matérias como história, filosofia e sociologia, oportunizar uma maior reflexão aos estudantes sobre a equidade existente entre todos os cidadãos, ação que tem por objetivo mudar a consciência e forma de pensar dos jovens, já que estes serão o futuro da nação.