O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No tribunal, o juiz; no exército, o general e na igreja, sumo pontífice são figuras de autoridade em seus campos de atuação. Nessa composição hierárquica, as divisões de poder são fundamentais na organização de cada instituição. Porém, a questão é que, no Brasil, essas “patentes” sociais, muitas vezes, agem como instrumentos despóticos, ferem e desrespeitam a dignidade do outro. Muito dessas atitudes provém de uma cultura individualista e um histórico de censura.
Em primeira análise, atitudes que transpareçam cordialidade atuam, em certas situações, como instrumento de corrupção. Em Raízes do Brasil, Sergio Buarque revela que essa cordialidade faz parte de uma composição negativa da identidade do brasileiro. Em esquemas de corrupção, por exemplo, esse comportamento se apresenta quando o dinheiro público desviado se converte em moeda de troca de favores pessoais entre políticos. Com isso, a autoridade corrupta utiliza-se de sua influência e seu acesso a verbas públicas para adquirir poder e alimentar sua ganância.
Também, cabe perceber, um histórico, no Brasil, de abuso de poder de pessoas influentes na sociedade sob os cidadãos mais humildes. No início da República, o “voto de cabresto” se disseminava em certas políticas de coerção, nas quais os grandes latifundiários obrigavam os a sociedade local a votarem em candidatos pré-determinados, com a intenção desses proprietários de terra obterem influência ainda maior na região. Dessa forma, a ameaça de retaliação cerceava a liberdade política dos subjugados.
Portanto, no Brasil, uma cultura de abuso de poder mancha a moralidade de seus cidadãos. Por isso, é necessário, por meio de propagandas oficiais do governo, incentivar instituições, tanto públicas como privadas, a se comprometerem a realizar auditorias internas, para que sejam estimuladas denúncias de casos que possam indicar abuso de autoridade. Para que com isso, o setor de recurso humanos reveja as cláusulas de o que o subordinado esteja submetido, e para as situações de abuso de poder, haver o início de ações de investigação e possíveis punições para os acusados. Dessa maneira, atitudes de despóticas serão cada vez mais raras, para que se mantenha o respeito para todas as camadas hierárquicas da instituição.