O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Segundo a Antiguidade Clássica, no Mito da Caverna de Platão, os prisioneiros viviam em função das sombras - analogia para a ignorância - refletidas no fundo de tal ambiente. Nessa alegoria, apenas um dos indivíduos conseguiu se libertar para a verdade e o conhecimento do mundo exterior. Fora da ficção, entretanto, na atual realidade brasileira, é perceptível que a desinformação sobre as questões de cidadania em um contexto histórico que sempre contemplou apenas os interesses da elite corrobora para episódios de abuso de poder e autoridade, exemplos de obscurantismo.
Em primeira análise, nota-se que ocorrências de inculturas expressas por profissionais de alto prestígio são presentes no país. Isso é exemplificado em uma reportagem, realizada pelo site de notícias “Metrópoles”, na qual o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) intimida um representante da guarda municipal santista, do litoral paulistano, por causa de sua elevada posição social. Sob essa perspectiva, é possível observar, de maneira irônica, como um cidadão instruído intelectualmente - por um dos concursos mais respeitados do Brasil - não possui o discernimento de que as normas de conduta social também são aplicadas para o mesmo, independentemente de qualquer “carteirada” na tentativa de obter vantagem ilícita.
Ademais, sabe-se que a conjuntura histórica brasileira privilegia tais elites e seus comportamentos. Isso se fundamenta pelo conceito filosófico de Max Weber ao afirmar que “o homem é ativo na sociedade seguindo padrões”. Isso remete ao passado colonial e republicano brasileiro na qual as oligarquias vigentes retinham o poder em todas as esferas, incluindo as jurídicas. Dessa maneira, compreende-se a razão de personalidades de “status” elevado se colocarem acima da lei em situações abusivas de ostentação de privilégios.
Portanto, medidas são necessárias para minar as aparições de abuso de poder e autoridade. Para isso, urge que o Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pelas diretrizes educacionais, amplie a grade curricular dos ciclos básicos de escolaridade para maior contemplação das aulas de sociologia. Essa ação deve ocorrer por meio da contratação de professores especializados em tal disciplina e que possuam experiência em sala de aula. Toda essa proposta surge com o objetivo de orientar as crianças sobre a cidadania e o funcionamento da coletividade que estão inseridos. Assim, a alta sociedade brasileira deixará a caverna das sombras e sua ignorância.