O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

No filme “Tropa de elite”, é retratada a violência nas principais favelas do país, evidenciando a força do tráfico e o abuso de poder por parte de policiais regimentados. Hodiernamente, fora da ficção, embora após anos de avanços constitucionais e sociais, a questão das moderações de força e autoridade  ainda são uma realidade no país, haja vista sua relação com aspectos históricos e comportamentais. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas para contornar essa grave e inercial problemática.

Em primeiro plano, durante a Ditadura civil-militar e a consequente restrição de direitos, os agentes coercitivos assumiram posturas cada vez mais agressivas e de encontro aos Direitos Humanos. Na atualidade, embora a Constituição Federal tenha restaurado os privilégios e a ordem democrática, reflexos desse período ainda são verificados. Esse fato é elucidado pelo abuso de poder realizado por alguns operacionais que, de maneira errônea, agem de forma excessivamente brutal, o que causa situações humilhantes, vexatórias e inconstitucionais. Sendo assim, além de rebaixar a popularidade dessas instituições militares, essa realidade configura um impasse, na medida que fatores atemporais impedem a edificação de uma nação melhor.

Ademais, desde o período Colonial, os povos brasileiros eram divididos em extratos sociais de acordo com fatores éticos e financeiros dos indivíduos. Diante dessa máxima, levando em consideração esse postulado histórico, verifica-se que, desde sua edificação, o Brasil demarca uma relação antagônica entre pessoas privilegiadas e as desfavorecidas. Sendo assim, como resultado dessa herança, muitos cidadãos sentem-se superiores e intocáveis, tratando com desprezo e preconceito, brasileiros considerados inferiores e desprivilegiados. Nessa ótica, a defasagem no que se refere à mentalidade de parte da população reverbera as atuais complicações, em que traços segregadores são reforçados e aspectos econômico-sociais definem a forma de tratamento recebido pelas pessoas.

Portanto, com o intuito de solucionar esse quadro de calamidade e desrespeito, o Governo Federal, na figura do Ministério da Educação, deve alterar o modelo de ensino ministrado nas escolas do país, mediante a adoção de um ensino politizador, inclusivo e progressista, de modo que palestras, dinâmicas e debates atenuem as heranças retrógradas herdadas do período militar e colonial, o que contribuirá não somente para a redução de tratamentos diferenciais, mas também para a edificação de um Brasil mais justo, igualitário e provedor dos Direitos Humanos.