O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
No antigo Egito, os chamados Faraós eram autoridade máxima dentro da pirâmide social - sendo até considerados representações divinas. Desse modo, tais reis podiam tratar aqueles com uma posição social inferior como quisessem de maneira “legal”, seja humilhando ou até tirando a vida dos mesmos. Tal sistema de governo ja fora superado há séculos, no entanto situações contextualmente parecidas, com um teor menos radical, acontecem atualmente no Brasil, uma vez que casos de abuso de poder são frequentemente relatados nas mídias sociais. Configurando, portanto, um cenário em que o endeusamento de figuras com alguma autoridade e o egocentrismo exacerbado das mesmas são incoerentes e incondizentes com o século XXI.
Em primeira análise, cabe desmistificar a cultura de superiorização de indivíduos com autoridade por terem mais direitos e obrigações que outros. Segundo a Constituição brasileira de 1988, todos têm o mesmo direito de ser tratado com respeito, honra e dignidade em território nacional. Sob essa ótica, desprende-se que, independente do cargo político ou posição social, não existe dentro da legalidade nenhum aval para que aja imposição de uns sobre outros de forma inadequada, tornando qualquer tipo de humilhação e afins inadimissível.
Por consequência da cultura citada, os indivíduos com essa “notoriedade” geralmente nutrem um egocentrismo inapropriado por tais influências sociais. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o homem é um ser egoísta em seu estado natural, podendo muitas vezes se virar até mesmo contra seu semelhante, como é explicitado em sua máxima “O homem é o lobo do homem”. Em vista disso, toma-se como refencia a citação em questão, uma vez que facilmente o poder pode “subir a cabeça” da maioria dos indivíduos, tirando-os qualquer resquício de racionalidade.
Portanto, em virtude aos fatos apresentados, torna-se nítido o complexo problema intrínseco ao abuso de autoridade no Brasil. Dessa forma, é mister que o Ministério Da Justiça crie palestras em âmbitos abertos a todos, por meio de verba pública em conjunto com o patrocínio de instituições privadas, para pontuar os limites das autoridades e conscientizar a população sobre tal assunto de extrema importância, visando neutralizar qualquer corrente de pensamento que justifique humilhações de uns sobre outros. Ademais, cabe ao Poder Legislativo reforçar leis contra o abuso de autoridade com emendas que cubram “brechas”, a fim de suprimir o sentimento egocêntrico de autoridades que pensam estar acima da lei. Sendo assim o único meio de atingir o tão aclamado estágio de ordem e progresso.