O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 26/03/2021

Ao longo do processo de formação da sociedade, o uso de poder exacerbado foi amenizado, tendo em vista a fragmentação do arbítrio do grupo governante de uma nação, instituída pelos pensadores iluministas através da criação dos três poderes no século XVIII. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, percebe-se que esse panorama de progresso não se instalou inteiramente, visto que os agentes que garantem a legislação ainda abusam da autoridade que seus cargos lhe conferem. Desse modo, é imprescindível explicitar os principais impulsionadores dessa crise: a distorção da imagem ideal desses funcionários para o controle social e a despreparação psicológica demonstrada por eles.

Diante desse cenário, é lícito postular que o errôneo incentivo de uma postura violenta por parte dos agentes da magna carta é um sustentáculo central do uso de poderio exacerbado por tais profissionais. A respeito disso, é fundamentado pelo filósofo francês Michel Foucalt que o poder, em nome da manutenção da obediência coletiva, articula-se em uma linguagem de controle e coerção. Nesse viés, é perceptível que as tentativa das instituições de poder de gerar respeito nos cidadãos por meio do medo acontecem devido a uma perspectiva autoritária quanto a maneira da continuação da ordem nacional. Sob tal ótica, práticas de ofensas para conclusão dos objetivos investigativos de organizações como a Polícia, tem como resultado a criação de indivíduos, ao invés de ajuízados, assustados, de acordo Foucalt. Assim, essa conduta gera uma relação de abuso desses  trabalhadores com o corpo social.

Além disso, como consequência dessa compostura prejudicial, é possível invocar que as organizações governamentais possuem uma carência no que tange o preparamento mental daqueles que representam seus interesses. Isso porque, por lidarem frequentemente com o contato humano, tais profissionais devem ter porte de boa comunicação, de forma a garantir o êxito das operações cotidianas, que requerem colaboração popular. No entanto, isso não ocorre, como é possível observar no filme “Tropa de Elite”, no qual é demonstrado o tratamento ríspido que os policiais do Rio de Janeiro fornecem ao povo. Então, nota-se que, devido ao descaso do governo com o psicológico de seus agentes, suas finalidades são danadas.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que, o Ministério da Justiça, através de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete a ministração de palestras sobre a abordagem dos oficiais de gestão da harmonia coletiva, além de fornece-los atendimento semestral com psicólogos, à fim de atenuar o abuso do domínio no país.