O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 14/05/2021
Segundo o psicanalista Antonio Quinet a sociedade contemporânea é medida pelo olhar. A partir dessa premissa é evidente a necessidade de um olhar mais atento na questão do abuso de poder e autoridade no Brasil. Nesse sentido, a falta de treinamento de profissionais causa uma diferença no tratamento nos setores da sociedade. Desse modo, são prementes discussões sobre o excesso de uso de poder, em nome de um melhor convívio social.
Em uma primeira análise, é fato que cursos profissionalizantes ajudam na formação do trabalhador. Nesse contexto, segundo o filósofo John Locke em sua teoria da “tabula rasa”, o homem é uma folha em branco a ser preenchida. Dito isso, profissionais exercem cargos de autoridade sem realizar aulas que ajudam na forma de conduzir e agir com os seus privilégios em condutas simples do dia a dia. Aliado a isso, o sentimento superioridade permite que membros do Legislativo, Executivo e Judiciário tratem seus inferiores de forma desigual e desrespeitosa e muitas vezes desobedecendo a lei quando são multados, para se favorecer. Sendo assim, é inegável que a falta de cursos profissionalizantes e o entendimento que existem pessoas “maiores” em relação a outras são algumas das causas do abuso de poder e autoridade no Brasil.
Em uma segunda análise, é evidente que pessoas em situação de inferioridade são tratadas de forma diferente pelos agentes da lei. Sob esse prisma, na série “Olhos que condenam”, é retratada a história de adolescentes tratados pela polícia de forma desumana e injusta, por serem pobres e negros. Fora da ficção, essa é a realidade de muitos jovens e adultos brasileiros, constantemente violentados, até mesmo em suas casas, pelo abuso de autoridade de servidores públicos que desrespeitam leis e regras na hora de realizar ações em bairros mais carentes. Ademais, o excesso de poder ocasiona presos que são encarcerados por serem prejulgados por policiais, os quais usam da sua soberania para culpá-los, sem mesmo terem provas. Posto isso, é inquestionável que o abuso de poder acarreta consequências, como o tratamento diferenciado, dependendo da classe social do cidadão.
Depreende-se, portanto, que a falta de treinamento de profissionais permite o uso do excesso de poder. Nesse viés, é necessário que o Ministério de Segurança Pública realize seminários, por meio de palestras online em suas redes sociais, como o twitter e instagram, para servidores públicos sobre as consequências negativas do abuso de poder e autoridade, para que cidadãos não sejam tratados de forma desumana por conta de condições sociais. Assim, o Brasil poderá alcançar o olhar descrito por Quinet.