O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 29/05/2021

Sabe-se que é necessário respeitar as autoridades para que mantenha-se a ordem dentro de uma sociedade. No entanto, nem sempre quem exercita o poder o faz dentro de suas limitações, podendo, muitas vezes, aproveitar-se de seu status e agir como se estivesse acima da lei. Esse comportamento mancha a imagem de muitos perante a opinião pública.

Com o objetivo de justificar alguma atitude antiética, algumas autoridades utilizam-se do que é popularmente conhecido como ‘carteirada’. Tais comportamentos erráticos podem ter relação com o Complexo de Superioridade, termo do psicólogo Alfred Adler. Ou seja, autoridades que transgridem o poder estão tentando compensar a inferioridade que lhe são inerentes e, ao sentirem-se ameaçados, indivíduos com esse traço usam de sua influência como forma de reparar dano ao ego.

Atrelado a isso, o pouco conhecimento sobre leis e limites de determinadas autoridades por parte da sociedade abre margem para que alguns poderosos abusem do poder com a certeza de que nada os acontecerá. Como resultado, os cidadãos temem fazer denúncias e sofrer represálias. Outrossim, há o pressuposto de que não há pena justa para a autoridade que abusa do poder. A exemplo disso, há o caso do desembargador Eduardo Siqueira, que chamou um guarda civil de analfabeto. No final da situação, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu afastá-lo do cargo. Porém, ele continuou recebendo o salário de desembargador, fazendo com que a pena não servisse como resposta justa à sociedade.

Fica clara, portanto, a necessidade de reforçar a educação básica por meio da inserção de disciplinas que abordem os limites do poder e o direito constitucional pelas escolas, conscientizando, assim, as pessoas a fim de que elas saibam quando denunciar e não temam. Além disso, o Poder Judiciário, por meio de uma emenda constitucional, deve rever a forma como pune as tais autoridades para que as medidas tomadas façam justiça de verdade e sirvam como lição para todos. Só assim será possível ter uma sociedade com menos abusos e com mais respeito.