O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 01/08/2021

A Ditadura Militar brasileira, que perdurou de 1964 a 1985, foi um período relevante e transformador na história do país. Nessa perspectiva, esse momento histórico deixou resquícios na mentalidade da sociedade atual, os quais contribuem para a perpetuação do abuso de autoridade e de poder no Brasil. Assim, é possível analisar que esses estigmas persistem pela legitimação popular ao excesso de soberania e por causa da consciência escravista ainda presente no ideário popular.

Precipuamente, analisa-se que a anuência popular ao abuso de poder é uma das formas de perpetuar esse problema na sociedade brasileira. Sob essa óptica, Max Weber, sociólogo alemão, defende que o Estado possui o monopólio legítimo da violência, o qual foi entregue a essa instituição pelo povo. Consequentemente, o poder, antes pertencente à população pelos princípios democráticos, ao ser transferido ao governo, faz com que ela perca a sua autonomia para defender-se dos demandos autoritários. Sendo assim, é necessário reverter esse comportamento instituído na sociedade por meio de ações das escolas, que compõem parte essencial na formação do indivíduo.

Além disso, pode-se apontar a mentalidade escravista perpetuada na sociedade brasileira como um dos fatores que permitem o abuso de poder no país. Nesse sentido, a Era Colonial Brasileira, marcada pelo sistema escravista, normalizou o uso do excesso e da concentração de autoridade contra a própria população. Uma vez que essa parte da história foi um período de constituição cultural e identitária, muitos dos princípios construídos nessa época persistem na consciência popular, favorecendo a continuidade das estruturas coloniais no panorama atual brasileiro. Por isso, urge desconstruir um passado de dominação a fim de construir um futuro livre para todos os cidadãos do país.

Dessarte, considerando as raízes do abuso de poder e de autoridade no Brasil atual, é preciso formular medidas para reduzir ainda mais a perpetuação desse problema. Com isso, cabe às escolas, instituições importantes na construção da consciência individual e social, reverter a mentalidade escravista e legitimadora da violência, desde a juventude, por meio de projetos que estimulem a memória e o pensamento crítico. Dessa forma, essas medidas devem ser tomadas a fim de mitigar as ações de abuso de poder no Brasil e, assim, impedir que o que foi vivido durante a ditadura militar brasileira volte a ocorrer no futuro.