O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 27/08/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de quaisquer formas de conflitos sociais, a partir de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XVII. Analogamente, a sociedade brasileira hodierna é semelhante à precária de More, pois o abuso de poder e de autoridade ainda é latente, tendo em vista que a formação histórica e a educacional são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de meios os quais visem à mitigação desses fatores.

É de crucial importância analisar a ideia do filósofo Hegel, a qual diz respeito à construção histórica de toda problemática. Corroborando essa visão, a formação, desde o colonialismo, do abuso de poder relaciona-se com a ideia de Hegel, uma vez que o direito e a engenharia, por exemplo, as quais foram as primeiras profissões exercidas no Brasil, eram mais respeitadas que outras. Essa realidade se propaga hoje, na medida em que naturalizou-se a mentalidade de hegemonia desses trabalhos em  contraponto a outros, o que é explicitada ao observar os constantes casos publicados nas redes sociais de humilhações vivenciadas pelos trabalhadores vítimas, por causa do abuso de autoridade. Nesse ínterim, se essa naturalização social persistir, o abuso atemporal continuará sendo latente.

Outrossim, convém ressaltar o teórico papel das escolas de formar valores para a inserção dos indivíduos na sociedade. Dessa maneira, a teoria do pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do oprimido”, entendia que as escolas atuais são arcaicas, o que tornam os jovens despreparados para o mundo. Nesse sentido, essa arcaicidade mostra-se na predominância da manutenção das metodologias voltadas aos jovens que irão optar pelo ramo do direito e medicina, por exemplo, as quais são privilegiadas pela mentalidade social, ao invés do ensino de valores, como  o respeito e a valorização de todas as profissões existentes. Ocorre que essa precariedade escolar ocasiona a perpetuação da subjugação de vários empregos, a qual, a posteiori, reverbera-se na forma de abuso de poder e de autoridade.

Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para promoverem projetos socioeducativos, por intermédio de palestras e debates em horários de aula, as quais seriam mediadas por profissionais especializados na área do direito e da ética laboral. Tal ação iria enfatizar a questão criminal do abuso de poder e da necessidade do respeito e da valorização de todas as profissões para que não haja uma anomia do corpo civil. Destarte, teria o fito de reduzir, gradativamente, os casos dessa forma de abuso e, também, a hierarquia dos diversos trabalhos.