O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão ao corpo social brasileiro, por mais que o abuso de poder seja tratado como algo sério, ainda assim existem obstáculos a serem superados, uma vez que as leis são ultrapassadas por pessoas de altos cargos. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito da cultura da impunidade, bem como o descaso pelas desigualdades sociais acabam por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, para definir o mundo globalizado, afirma que as relações sociais tendem a ser menos douradoras e frequentes, de modo que prioriza o individualismo. Diante disso, percebe-se a razão pela qual a impunidade se faz presente, favorecendo a superioridade de uns sobre os outros, a fim de prevalecer as vontades particulares. A princípio, profissionais como juízes, seguranças, policiais e médicos tendem a terem esse tipo de comportamento, já que são cargos respeitados e decisivos. Além disso, segundo o Conselho Nacional de Justiça, mais de 21 mil casos de abuso de autoridade foram denunciados. Por isso, é preciso que o município promova intervenções nos cargos públicos, para que as pessoas tenham consciência e respeite os limites impostos.

Sob um segundo enfoque, de acordo com a socióloga Hannah Arendt, o mal banal se caracteriza pela ausência de pensamento, submetendo-se a uma lógica externa que não percebe a culpa nos atos que pratica. Desse modo, a capacidade de se colocar no lugar do outro é desprezado. Nesse sentido, é notório que o descaso pelas desigualdades favorece a atuação de pessoas desonestas para conquistar o que deseja, sem que haja uma preocupação em sanar os impasses, como a intolerância, segregação social, exclusão, entre outros. Logo, é preciso que o Governo realize mudanças, como forma de amenizar esse problema.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, projetos no Comitê de Segurança, sendo administrados por profissionais da área de segurança, para incentivar a denúncia sobre aqueles que tentam burlar as leis, a fim de garantir que todos sejam tratados da mesma forma, sem nenhum privilegio. Além disso, ainda no projeto, cabe ao Estado punir os infratores, afastando dos cargos, em virtude do bem-estar social. Somente assim, será possível a mudança do percurso e possibilitar a perspectiva de um mundo melhor.