O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 16/02/2022
Do assassinato de Tiradentes em praça pública á violência policial cotidiana, nota-se os nefastos malabarismos sociais que as aristocracias perpetuam como mecanismos de sustentação de poder, sufocando quaisquer grupos sociais contrários a tal hegemonia. Nesse contexto, há uma intensa segregação na sociedade - delimitando os enclaves entre oprimido e opressor - e uma notável impunidade a tais óbices, que somente são justiçados visto comoção popular.
Em primeiro lugar, a difícil mobilidade apresentada gera uma grande barreira perante as classes. Na obra “Raízes do Brasil”, Sergio Buarque de Holanda discute a perpetuação histórica de indivíduos socioculturalmente marginalizados, fazendo com que estes desenvolvam engenharias de benefício próprio, nomeado por ele como “jeitinho brasileiro”. Dessa forma, os fatores limitantes, como as diferentes taxas de segurança pública em zonas urbanas, dentro do organismo social, contribuem com essa idiossincrasia.
Mormente, a impunidade acerca dessa problemática induz a sociedade na normalização de condutas inapropriadas, com base na escassa culpabilização dos agentes atenuantes. Em paralelo, é gerada uma desconfiança nos setores públicos do país, no qual atitudes como as famosas “carteiradas” - isto é, a legitimação de um discurso de ódio por “cargos importantes” - causa medo nos denunciantes e confiança aos agressores, aumentando, assim a hegemonia destes órgãos.
Depreende-se, portanto, medidas que amenizam tal óbice social. Para tanto, o Ministério da Educação e Cultura poderia promover estudos sociológicos, visto sua importância nas Ciências Humanas, sobre os direitos fundamentais do indivíduo, assegurados na Carta Magna. Ademais, o Poder Judiciário, perante a pressão civil, fiscalizar-se-ia intensamente os papéis das corregedorias e puniria coerentemente a má conduta apresentada, podendo levar ao ostracismo. Só assim, será construída uma sociedade com os princípios igualitários consolidados e preservados.