O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 21/08/2022
A filósofa alemã Hannah Arendt definiu que o poder “nunca é uma propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido”. Sob esse viés, no Brasil, a polícia, muitas vezes, abusa da autoridade para forçar uma abordagem que, geralmente, é voltada às pessoas pretas. Nessa perspectiva, isso se evidencia não só devido à estrutura social, mas também à negligência estatal.
Em primeiro lugar, historicamente, a força é usada como meio de controle, principalmente aos grupos que não possuem tanto poder socioeconômico. Para tal, a polícia faz uso dessa estrutura e demonstra, em algumas abordagens, maiores níveis de violência, mesmo quando não é necessário, geralmente, nas periferias, segundo Nancy Cardia, brasileira, representante da OMS e doutora em psicologia. Assim, segundo Norman Fairclough, linguista britânico, “O discurso como prática política estabelece, mantém e transforma as relações de poder e as entidades coletivas". Nessa perspectiva, pode-se construir uma imagem - ou discurso -, até mesmo, de qual população torna-se alvo de quem deveria protegê-los.
Nesse sentido, a camada social que mais sofre com a autoridade policial é a população negra. Com isso, o abuso de poder dos policiais contra as pessoas pretas não é apenas no Brasil, mas, infelizmente, está presente no mundo, como foi o caso da violência cometida contra Floyd, nos Estados Unidos. Assim, muitas pessoas foram às ruas em vários países, inclusive, no Brasil, para manifestarem-se em oposição ao ocorrido. De modo que, consoante a Aristóteles, “O homem é um animal político", ou seja, de acordo com a situação que o cerca, busca por mudança, como o ocorrido com Floyd, expandindo o movimento “BlackLiveMatter”.
Portanto, a negligência do Estado diante do excesso de autoridade tem que ser solucionada. Logo, o governo federal deve, em parceria com os governadores, criar projetos que abordem as relações de poder, por meio de exposições mostrar que nem sempre deve-se chegar em uma abordagem de forma hostil. Com isso, será possível atenuar os casos de abuso de poder, a fim de uma sociedade mais segura para seus cidadãos, e, especificamente, para a população negra.