O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 05/10/2022
Na década de 40, em sua obra “A revolução dos bichos”, Jorge Orwel narra a jornada de um grupo de animais que decidem se rebelar contra o dono da fazenda e contra a exploração dos humanos. No decorrer da fábula, os animais que assumem a liderança mostram-se iguais e, porque não dizer mais tirânicos do que seus antigos proprietários. No Brasil do século 21, o abuso de poder e o autoritarismo concedem um caráter atemporal ao texto de Orwel. A partir desse contexto, é imprescindível analisar o principal motivador do abuso de poder e de autoridade no Brasil bem como o seu grave impacto social.
Nesse sentido, é nítido que relações de poder se enraizaram na construção cultural imposta ao país. Sem dúvida, como mostra o estudo da antropóloga brasileira,Lilian Schwarcz,o mandonismo - minoria autoritária que submete grande parte da população - configura-se como um dos maiores inimigos da República.Isso ocorre porque, no Brasil, não há um sentimento de coletividade,assim, as pessoas não estão em seus cargos com o ideal de compor o corpo social mas para obter vantagens e dominar os menos favorecidos.
Além disso, nota-se como os direitos sociais são comprometidos nesse cenário de autoritarismo no Brasil. Para o historiador brasileiro, José Murilo de Carvalho, a cidadania só é efetiva quando se contempla os direitos civis, políticos e sociais. Desse modo, observa-se que a população mais vulnerável socioeconomicamente sofre os efeitos das ações arbitrárias dos que ocupam cargos de melhor posição social. Prova disso, tem-se o relatório da ONU que constatou que negros tem quatro vezes mais chances de sofrer violência policial.
Portanto, é imprescindível que a cultura de abuso de poder no Brasil seja banida. Para tal, é necessário que o Ministério da Educação por meio de projetos implementados nas escolas incluam na pauta de ensino a valorização do bem-estar coletivo. No mais, faz necessário a construção de uma Nação, com ideais e sentimentos de pertencimento. Afinal, quando se pensa no coletivo condutas autoritárias ficam somente em fábulas de décadas passadas.