O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 14/04/2020
“Navegar é preciso”. A frase do escritor Fernando Pessoa expressa o contexto da expansão marítima portuguesa, em que os navegantes se aventuraram pelos mares. Paralelamente, se tal expressão fosse idealizada no século XXI, estaria atrelada ao crescente uso das redes virtuais. Sob essa perspectiva, é nítido que os meios digitais constituem as principais formas de comunicação e de obtenção de informações na contemporaneidade. No entanto, o acesso à internet no Brasil ainda é restrito, ora por falhas no setor educacional, ora pela desigualdade socioeconômica, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigá-las.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a ausência de uma efetiva instrução digital no Brasil é um entrave para a democratização do acesso à internet. Tal fator demonstra a falta de políticas públicas que visam ensinar os cidadãos a manusear os aparatos tecnológicos, o que é paradoxal em um mundo globalizado. Isso comprova-se pelo fato de que a nação está em 72º lugar no ranking internacional , no que tange à taxa de acessibilidade às tecnologias da informação, segundo o Índice Integrado de Telefonia, Internet e Celular. Logo, constata-se que a inclusão virtual não relaciona-se somente com mecanismos financeiros, mas também, educativos.
Outrossim, a falta de programas públicos de auxílio à base da sociedade constitui um obstáculo para um amplo acesso à internet. Parafraseando o filósofo britânico Bertrand Russell, a mudança é indubitável, mas o progresso é uma questão controversa. Nesse viés, denota-se que a desigualdade socioeconômica gera um abismo intransponível entre a parcela social mais pobre e a inclusão digital. Dessa forma, é substancial que haja uma atuação mais promissora do Poder Público para com os instrumentos políticos de contemplação de classes sociais mais baixas, visando a uma inserção informacional e comunicativa dessas populações.
Em síntese, urge que ações sejam efetuadas para democratizar o acesso à internet no Brasil hodierno. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas governamentais, oferecer cursos gratuitos voltados para o letramento digital nas escolas, a partir de aulas práticas e distribuição de materiais informativos, ministrados por profissionais da tecnologia, a fim de que os cidadãos aprendam, desde cedo, a manusear os aparelhos tecnológicos, além de diminuir o analfabetismo nesse âmbito. Ademais, o Governo Federal deve, mediante parcerias empresariais, implementar um programa social de distribuição de computadores, celulares e bens técnicos para populações com baixo poder aquisitivo, em troca de isenção tributária, visando a uma efetiva redução nas disparidades de acessibilidade nesse quesito.