O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2020

Em 12 de março do ano corrente, o Ministério da Saúde regulamentou os critérios do isolamento social devido à pandemia da Covid-19, com o objetivo de garantir a segurança durante esse período. Em vista disso, instituições de ensino, empresas privadas e comércio foram obrigados a paralisarem suas atividades, para que a propagação da doença em questão seja mantido sob controle. Diante do cenário exposto, a sociedade brasileira viu-se obrigada à adaptar seu modo de produção e estabelecer modelos de interação e conexões exclusivamente via internet, algo que colocou em questão o acesso à internet no país e evidenciou a, até então velada, exclusão digital.

Primordialmente, cabe destacar o home office, as vídeo conferências, o ensino à distância (EaD) e o delivery (entrega domiciliar) como principais modelos de interação exercidos por meio da internet. No entanto, as relações citadas ficam restritas à 60% da população que possui acesso à internet em contraposição aos 42 milhões de brasileiros que não possuem, segundo o Observatório Social da Covid-19. Cabe salientar, acordo com o Portal de Notícias da G1, que a internet de qualidade fica restrita àqueles que possuem com renda de até 10 salários mínimos o que corresponde à 17% dos cidadãos. A partir do exposto, pode-se depreender que a exclusão digital no Brasil é oriunda da desigualdade social.

Não obstante, é imperioso mencionar o postulado do filósofo iluminista Jean Jaques Rousseau do livro “Do contrato social”, no qual afirmava que desigualdade que opõe as classes, os governantes e governados, seria a fonte primeira de todos os males sociais, as desigualdades, a exploração e escravidão. A tese de Rousseau encontra-se de forma análoga ao cenário hodierno brasileiro, em que a disparidade social origina a exclusão social.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o desafio e melhorar o quadro atual. Para que haja mitigação da disparidade social consequentemente a exclusão digital, urge que o Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC) coloque em prática a estratégia brasileira para a transformação digital que visa realizar investimentos de longo prazo e articulação entre iniciativas de infraestrutura de comunicação de dados, de maneira a atender as necessidades de serviços de ciberinfraestrutura e tecnologia, em cooperação com empresas da tecnologia da informação, de modo descentralizado em nível nacional, estadual e municipal. Nessa conjuntura, democratizar os modelos de interação e conexões exclusivos, como EaD, delivery e home office, por meio da extensão do acesso à internet em todo o Brasil.