O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 16/04/2020
O isolamento social contra o coronavírus, em 2020, fez o mundo descobrir o Zoom, aplicativo de videoconferência. Esse, em apenas um mês, ganhou 12 milhões de adeptos. Porém, a euforia desmoronou quando, falhas de segurança, foram detectadas. Esse episódio frustrou as escolas que havia encontrado nessa ferramenta a solução para aulas a distância. Contudo, outro problema de enorme relevância não havia sido considerado: a desigualdade do acesso à internet no Brasil. Diante disso, cabe análise das causas, consequências e possível solução.
Em primeiro lugar, é importante evidenciar que a questão relacionada aos diferentes modos de acesso à internet foi percebida ao se pensar em manter as aulas por meio de ensino a distância. Pensava-se, portanto, que o telefone celular seria o referencial para validar se o aluno acessava à rede mundial de computadores. Isso se mostrou um engano, muitos acessam-na por meio de pacotes limitados ou ao adentrarem em um ambiente que disponha de “wi-fi” livre. Segundo o PNAD - Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio, apenas 19% da classe D e E dispõe de internet em casa. Esse é, destarte, o motivo maior que inviabiliza o uso programas que exijam grande fluxo de dados na rede. Assim sendo, não é sensato manter aulas apenas para alguns.
Em segundo lugar, vale ressaltar que a manutenção do calendário letivo nessa condição, vai gerar enorme prejuízo para quem não conseguir assistir às aulas. Sobre o tema, pesquisa feita pelo TIC Domicílio constatou: “nas regiões urbanas 74% da população está ligada à internet, contra 49% da zona rural”. Diante desse estudo, percebe-se que há uma diferença a ser considerada. Assim sendo, não se pode adotar uma conduta linear num país de grandes desigualdades.
Depreende-se, à vista disso, que a questão do acesso à internet reflete a condição social da nação. Logo, para que isso mude, faz-se necessário que o Ministro da Educação, que é o responsável pela formação moral e intelectual dos jovens e adultos, implante internet comunitária gratuita “wi-fi” em todas as comunidades onde houver estudantes. Para isso se efetivar, terá que contratar uma empresa especializada por meio de licitação pública. Nesse processo deverá inserir uma plataforma de ensino, construída com a participação de professores, que por sua vez, serão capacitados para usá-lo. Dessa forma, a internet chegará a todos os lares no Brasil, para que todos os estudantes tenham oportunidades iguais nos processos cognitivo e de formação da cidadania.