O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 16/04/2020
Milton Santos, o mais respeitado geógrafo brasileiro que existiu, criticava enfaticamente a globalização e sua característica segregacionista tecnológica, na qual pessoas que não possuem acesso a internet são cada dia mais excluídas, gerando um novo tipo de preconceito, o informacional. Atrelado a isso, a má qualidade da internet brasileira atrasa a 4ª Revolução Industrial no país, proporcionando o retardamento tecnológico em relação a outras nações mais desenvolvidas.
Primeiramente, cabe pontuar que cerca de 62 milhões de brasileiros não está conectado à internet no país. Segundo pesquisa realizada em 2018 pela TIC Domicílios, essa parcela da população é composta principalmente por pessoas na linha da pobreza ou da extrema pobreza, e que além de sofrerem preconceito por conta de sua condição socieconômica, com o advento da globalização, passaram a sofrer também com a falta da informação disseminada nesse meio. Segregando a sociedade cada dia mais.
Ademais, outro ponto importante, porém em nível mundial, é a separação entre países com boa e má qualidade de internet , sendo o Brasil pertencente do segundo cenário. Um estudo realizado em 2018 pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), constatou que metade da internet disponibilizada pelas operadoras não é ideal nem para assistir Netflix. A fraca capacidade de conexão é refletida na precariedade dos tecnopolos do país, que já sofrerem com o baixo investimento por parte do Governo e com isso proporciona uma diminuição da tecnologia desenvolvida em solo nacional, atrasando o país e deixando-o ainda mais dependente das commodities.
Em suma, para superarmos as falhas da internet brasileira, faz-se necessário a inserção total ou pelo menos maioritária da população nesse meio, através da criação do programa “Internet para todos”, desenvolvido em acordo com os Ministérios da Cidadania; da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; da Mulher, Família e Direitos Humanos; e da Economia, bem como com as empresas operadoras de internet, para que elas disponibilizem internet de baixo custo às regiões precariamente assistidas, em troca da isenção de suas tributações. O programa também deverá atender as universidades públicas, pois são os principais parques de ciência e tecnologia do país, com uma conexão de alta qualidade, e, juntamente com um maior investimento do Ministério da Educação nas pesquisas realizadas pelos polos de inovação, o país poderá competir internacionalmente e fortalecer sua economia. Dessa forma, tornaremos a globalização algo que Milton Santos se orgulharia.