O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/04/2020
“E o mundo vai ver uma flor/ Brotar do impossível chão”. A cantora Maria Bethânia, ao entoar esses versos da canção “Sonho Impossível”, revela um sentimento de otimismo do eu lírico acerca do futuro, haja vista que acredita no romper de uma base rígida por um elemento delicado. É válido estabelecer uma analogia entre essa metáfora e a falta de acesso à internet, uma vez que, apesar de complexa, essa problemática também pode ser “rompida”. Nesse contexto, vale analisar essa questão no Brasil.
Antes de tudo, nota-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não garantir a inclusão digital. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro, já que faltam verbas para a construção de laboratórios de informática com acesso à internet nos espaços escolares, o que prejudica a consolidação da cidadania dos estudantes. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem propiciado o bem-estar de todos os cidadãos, desrespeitando os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988.
Ademais, observa-se que a falta de acesso à internet é consequência dos valores arraigados na sociedade. Prova disso pode ser a tendência cultural de se marginalizar a exclusão digital, em virtude da visão limitada de parte da sociedade de que a internet não desempenha um papel importante no desenvolvimento dos indivíduos, desconsiderando, porém, que a internet é uma ferramenta para obter e disseminar conhecimento. Logo, essa situação vem a fortalecer os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, posto que o acesso limitado a informações tem gerado uma leitura deturpada da realidade.
Convém, portanto, ressaltar que a falta de acesso à internet deve ser superada. Assim, é necessário que o Ministério Público solicite ao Poder Executivo um maior investimento financeiro nas instituições de ensino, priorizando a construção de laboratórios de informática, com o objetivo de promover uma educação digital do aluno brasileiro. Também, é fundamental informar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância do acesso à internet, potencializando o engajamento coletivo em prol da equalização de oportunidades para todos. Desse modo, assim como o eu lírico da canção, seria possível romper com a base da exclusão digital.