O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/04/2020
A globalização permitiu ao mundo o crescimento da internet, a qual possibilitou a desterritorialização das compras e vendas, dos trabalhos que possam ser feitos online, da disseminação de notícias e, até mesmo, da comunicação. No entanto ao atribuir essas funções à internet, os indivíduos que não estão inseridos nessa realidade virtual são marginalizados. Decerto, no Brasil, esse isolamento nefasto é proporcionado pela priorização dos espaços urbanos e pela impossibilidade de indivíduos de baixa renda adquirir tecnologia. Logo, é urgente que o governo e a sociedade contorne essa conjuntura.
Em primeiro plano, a marginalização dos indivíduos que não têm acesso à internet é, de fato, devido à anteposição dos territórios mais habitados em comparação aos espaços menos habitados. Nesse contexto, segundo o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do bem coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade. Diante disso, os empresários que visam o lucro ao introduzir o acesso à internet apenas em grandes cidades e zonas metropolitanas estão excluindo o restante da população e, devido a isso, facilitando o crescimento da desigualdade social.
Outrossim, Indivíduos em situação de vulnerabilidade econômica não conseguem comprar os dispositivos com acesso à internet devido à supervalorização dos mesmos no mercado em contraste com a baixa renda. Segundo o IBGE, quase 14 milhões de pessoas no Brasil estão em condições de pobreza extrema. Nesse sentindo, o sociólogo Zygmunt Bauman critica a afirmação de que o mercado irá corrigir a disparidade de renda entre ricos e pobres. Dessa maneira, o pensador relata a realidade atual: o mercado, que é um dos responsáveis pelo aumento dos preços do eletrônicos, propicia essa conjuntura em relação à internet.
Urge, portanto, a necessidade de desconstruir o processo de marginalização, visto que é prejudicial ao crescimento da sociedade. Para isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, orgão de maior responsabilidade pela política nacional quanto ao acesso à internet, deve, juntamente com o Ministério da Economia, criar uma proposta que possa levar o advento dessa rede mundial aos lugares mais precários e menos habitados. Isso deve ser feito através da criação de espaços públicos com computadores nessas regiões, onde o acesso será gratuito, para que toda a população tenha o direito de contato com as redes sociais. Dessa forma, todos os indivíduos poderão usufruir dessa tecnologia.