O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 20/04/2020
A partir da Terceira Revolução Industrial, ao final do século XIX, muitos avanços foram permitidos, por meio do desenvolvimento técnico-científico-informacional, a exemplo da internet, que tem facilitado a vida de grande parte da população mundial por possibilitar um amplo acesso à informação e facilitar a comunicação. Contudo, essa tecnologia tem, infelizmente, sido restrita apenas à parcela da população que tem condições financeiras de adquiri-la, visto que, de acordo com a a Fundação das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, cerca de 60% do jovens da África não tem como acessar a internet. Dessa forma, no Brasil a situação não é diferente: grande parte da população não tem acesso a essa tecnologia devido à alta desigualdade de renda e isso, certamente, configura uma exclusão social.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a falta de acesso à internet no Brasil espelha sua sociedade desigual. Nesse sentido, considerado um dos países mais desiguais do mundo pela Organização das Nações Unidas, ONU, o Brasil tem mais da metade de sua população pertencente às camadas mais baixas da sociedade. Assim, considerando os elevados custos cobrados por empresas fornecedoras de internet e de equipamentos eletrônicos no país, como celulares e computadores, poucos indivíduos são capazes de adquiri-los, o que ocasiona o baixo acesso à rede. A exemplo disso, conforme a Pesquisa TIC Domicílios 2018, menos de 50% da população brasileira tem aceso à internet.
Além disso, vale ressaltar que a falta do acesso à internet promove um processo de exclusão social no país. Recentemente, frente ao isolamento social devido à pandemia causada pelo COVID-19, escolas e faculdades, tanto públicas quanto privadas, passaram a oferecer ao alunos aulas on-line. Nesse sentido, a parcela da população que não tem aceso à internet, que corresponde a mais da metade dos cidadãos, não tem acesso à educação e, assim, é privada do acesso à informação e ao conhecimento. A título de exemplo, um estudante da Universidade de São Paulo, USP, em entrevista ao Jornal USP, falou sobre sua falta de acesso à internet e consequente exclusão do ensino público.
Em síntese, apesar da internet ser uma ferramenta importante para o desenvolvimento da sociedade, seu acesso no Brasil é restrito devido à forte desigualdade social existente País. Portanto, cabe aos governos estaduais, por intermédio de investimento público, fornecer aos bairros menos favorecidos o acesso à internet, a fim de ampliar o seu acesso. Ademais, eles devem, associados ao Ministério da Educação, MEC, mediante auxílio financeiro, assistir a população, fornecendo o acesso a equipamentos eletrônicos, bem como computadores, com o intuito de aumentar seu alcance da informação. Desse modo, com essas medidas, espera-se aumentar o acesso da população brasileira à internet e, consequentemente, à educação e, assim, reduzir a exclusão social atualmente existente.