O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 20/04/2020
Milton Santos em seu livro “Por uma outra globalização” afirma que os comportamentos competitivos caracterizam as ações hegemônicas na sociedade. Fora da literatura, no atual cenário brasileiro, cuja sociedade é demarcada por um longo período histórico que de um lado tem-se a população mais requisitada e de outro proletas que lutam pelos direitos e democracia, o acesso a internet é um dos impasses à Constituição Brasileira, que garante à todos, a facilidade nas informações. Desse modo, torna-se premente analisar os principais motivos que minimiza o uso de dados dos cidadãos e os desafios que a falta do mesmo traz para o Brasil contemporâneo.
Em primeiro plano, é licito afirmar que apesar da Revolução industrial ter promovido uma mudança econômica, a condição financeira de cada trabalhador ainda não permite recursos além do necessário para sobrevivência. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, comprovou que a media salarial de 54 milhões de brasileiros não passou de 928 reais- muito abaixo que um salário minimo- valor esse, que serve para alimentação, pagamento de contas e água como também, um pequeno valor para necessidades pessoais, ou seja, manter uma conta de internet é quase impossível para cerca de 2/3 da população. Assim como acontecido em 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, que até então, não existia remuneração financeira adequada para os trabalhadores.
Concomitantemente a isso, as consequências da falta de utensílios tecnológicos, dificulta tanto o processo de aprendizado quanto o ciclo de informações. Consoante uma matéria realizada pelo Fantástico (19/04/2020), os professores de rede pública quanto privada tiveram dificuldades em manter o ensino à distancia (EAD), frente à pandemia do COVID-19, justamente devido a falta de internet ou celular dos alunos, não havendo condição de exigir ou passar informações além das passadas presenciais, para não gerar dualidade nem penalização no processo educacional. Da mesma maneira que acontecido em 1920 com o inicio da gripe espanhola, no Brasil.
Desprende-se, portanto, da capacidade de mitigar os impactos causado pela falta de democratização da internet no Brasil. Para tanto, cabe aos representantes das telecomunicações existentes juntamente com os governadores estatais, promoverem pontos de acessos gratuitos, por meio de verbas governamentais, em cada bairro brasileiro, sendo esse fiscalizado pela associação de moradores respectivo, além de ser necessário a participação do Ministério da Educação nas escolas com a doação de aparelhos eletrônicos por sala, para que sejam usados pelos discentes dentro e fora do âmbito estudantil. Dessa forma, garantir-se-á o combate a falta do uso de dados móveis bem como a falta de informação e estudo à distância, somente assim a hegemonia de Milton, será aniquilada.