O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 21/04/2020
O filme espanhol “O poço” retrata uma prisão vertical de 333 andares que é abastecida por uma única mesa de alimentos, distribuída por uma plataforma que movimenta-se na direção descendente. Tendo isso em vista, os indivíduos que encontram-se nos níveis mais baixos não obtêm comida. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, nota-se a má distribuição do acesso à internet, o que contribui para o aumento das desigualdades sociais. Diante disso, a discrepância financeira entre as classes sociais e a consequente disparidade na educação corroboram para o agravamento da problemática.
Em primeiro plano, é imperioso ressaltar os aspectos econômicos. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, “A pluralidade é a lei da Terra”. No entanto, observa-se que essa máxima não é efetivada no cenário hodierno, uma vez que o uso da internet é restrito a uma parcela da população dotada de poder aquisitivo mais elevado. Nesse sentido, tal ferramenta fundamental para o crescimento profissional e individual não é desfrutada por todas as pessoas. Desse modo, na era tecnológica vigente, aqueles que não estão inseridos no mundo digital são prejudicados.
Ademais, vale destacar a influência dessa realidade desigual no ensino. De acordo com Paulo Freire, educador brasileiro, a educação é imprescindível para a transformação da sociedade. Entretanto, a falta de democratização do acesso à rede faz com que exista uma grande dissemelhança no aprendizado entre os adolescentes, haja vista que ela caracteriza-se como um importante meio para auxiliar nos estudos. Sob esse viés, os jovens que não possuem a oportunidade de usufruir do conhecimento disponível no ambiente informatizado são desfavorecidos, reforçando a desuniformidade na educação.
Portanto, é mister a adoção de medidas a fim de amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Estado, por meio de parcerias público-privadas, fornecer equipamentos e internet à população que enquadra-se em uma situação de vulnerabilidade econômica. Tal ação será efetivada mediante o oferecimento de benefícios fiscais às empresas que aderirem ao projeto. Assim, o conhecimento se tornará mais igualitário, indo de encontro ao funcionamento da cadeia no longa-metragem “O poço”.