O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 24/04/2020

No episódio “Queda Livre” da série da Netflix Black Mirror, em uma realidade distópica, as classes sociais eram definidas pela popularidade “online” dos usuários e, por consequência disso, as pessoas marginalizadas eram as excluídas do mundo virtual. Fora das telas, no Brasil, as pessoas excluídas, assim como na ficção, são desprovidas de “internet”. Logo, é indubitável que a falta de acesso ao mundo cibernético acentua a desigualdade social e econômica, respectivamente, por meio da não participação dos protestos virtuais e da redução nas chances de pessoas com baixa renda de ascender socialmente.

Segundo o sociólogo Pierre Levý, a “internet” é o principal meio de interação humana. Em consoante à tese apresentada, de acordo com o pensador Sandor Vegh, o universo cibernético tornou-se um espaço para reivindicações sociais, tais como as presentes no site “Change”, o qual permite a criação de petições públicas. Diante da realidade elencada, percebe-se que a não agregação do indivíduo ao mundo virtual implica na redução de sua participação como cidadão, dado que estará impossibilitado de se mobilizar em prol de suas demandas nas plataformas. Dessa forma, infere-se que as pessoas marginalizadas socialmente, sem o acesso à internet, terão sua condição de exclusão política acentuada, o que acarreta no aumento da desigualdade social.

Outrossim, a “internet” evidencia a relação dos privilégios econômicos com o acesso à educação. O youtuber “Umberto Mannarino” é uma das pessoas que fornecem materiais para a preparação para o vestibular gratuitamente, entretanto, nem todos podem consumir esse conteúdo, pois, segundo o IBGE, 30% dos lares não têm “internet”. Nesse prisma, os estudantes de classe alta, que já possuem uma educação de qualidade, serão mais favorecidos, em processo seletivos, com os conhecimentos “online”, o que prejudicará os alunos de baixa renda em conseguir vagas nas universidades. Logo, é indubitável que a falta de democratização do acesso ao mundo cibernético inflama a desigualdade econômica, visto que reduz a possibilidade de ascensão das camadas mais pobres.

Dessarte, medidas são necessárias para diminuir as disparidades acentuadas pela “internet”. Para tal, cabe ao Legislativo, órgão que é responsável por gerar leis, por meio da criação de uma emenda que obrigue o Estado a custear serviços de banda larga de famílias carentes, garanta o acesso de todos à rede, a fim de diminuir a desigualdade social e a econômica. Assim, a realidade distópica de Black Mirror será evitada no Brasil.