O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 26/04/2020

A quarta revolução industrial já é uma realidade para muitos países do mundo segundo especialistas. Nesse sentido, é contraditório os inúmeros dados coletados constantemente em que relatam que milhões de pessoas ainda não tem acesso à internet, como é o caso de muitos brasileiros, fato que deveria ser de grande preocupação. No entanto, poucas foram as vezes que se discutiram  maneiras de como atenuar essa desigualdade, ganhando relevância apenas no cenário atual de coronavírus, em razão do retorno a discussão sobre o Ead (Educação a distância) e como isso impactará o futuro.

É importante pontuar, de início, que o cenário de isolamento social que o Brasil vem passando em 2020 trouxe inúmeros problemas para as autoridades, sendo o ano letivo das escolas um deles. Nesse viés, o Ead surge como uma solução para que os alunos não saiam prejudicados e fiquem longe do risco de contaminação. Entretanto, essa medida não leva em conta a realidade de todos os brasileiros, pois apesar de pesquisas feitas pela TIC Domicílios mostrar um aumento em 2018, que deve ser comemorado, esse apenas subiu para setenta por cento da população. Desse modo, a educação a distância levaria a exclusão de uma grande parcela dos estudantes, pois além do acesso, existem outras questões como a qualidade dessa internet e a disciplina dos alunos, em especial os mais novos. Isso deixa nítido a desigualdade existente no país que se reflete em todos os setores,inclusive o virtual.

Ademais, cabe mencionar como essa falta de igualdade nas oportunidades tecnológicas, hoje, irá impactar toda a sociedade futuramente. Tal questão não é muito discutida em razão, sobretudo, da enorme liquidez e do imediatismo social, conceitos trabalhados por Zygmunt Bauman, que trazem à tona a super valorização que a população tem com o presente, esquecendo de pensar a longo prazo. Dessa forma, dificilmente é pensando em como ficará a educação e o trabalho daqui alguns anos com avanços cada vez mais expressivos no mundo tecnológico, mas que infelizmente não atingem a sociedade por completo. Assim, é fácil perceber que desse contexto não surgirá oportunidades mais igualitárias como todos almejam e sonham, mas surgirá outros tipos de exclusões.

Em suma, apesar de ser indubitável que nem todo o Brasil tem acesso à internet e que tal questão gera inúmeros problemas e se refletirá em impasse futuros, poucas medidas vêm sendo tomadas. Diante desse cenário, urge que o Governo Federal faça acordos com empresas de tecnologias brasileiras por meio da promessa de isenções e incentivos fiscais para aquelas que se responsabilizem em levarem internet de qualidade para todas as regiões do país, em especial as mais humildes. Assim como acordos sejam feitos para a doação de computadores. Dessa maneira, aos poucos todos conseguirão ter acesso à internet, deixando o país mais perto do contexto da nova fase industrial.