O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 30/04/2020
Os séculos XX e XXI foram marco da 3° Revolução Industrial, e que vê-se a Globalização facilitando a circulação de pessoas e de informação. Isso foi possível, em grande parte, pelo acesso à rede. Entretanto, nota-se que o acesso à internet no Brasil não é igualitário. Esse cenário perpetua-se pela ineficiência do Estado associada à concentração da rede em regiões econômicamente desenvolvidas.
Em primazia, é previsto na Constituição de 1988, que é dever do Estado promover o acesso igualitário à informação. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse dos orgãos públicos em promover o desenvolvimento sociocultural democrático, existe uma parcela significativa da população sem acesso à internet. Consequentemente, essa parcela carente desse recurso perpetuará carente de infromações essenciais.
Ademais, as cidades brasileiras foram construídas sob um viés elitista e segregacionista, de modo que a tecnologia e educação de ponta estão, em sua maioria, restritos ao espaço ocupado pelos detentores de certo poder econômico. Isso não poderia ser diferente com a chegada da internet, já que quase 50% dos lares nacionais não possuem acesso à web. Nesse sentido observa-se que a segregação social- evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque, no livro ‘‘Raízes do Brasil’’- se faz presente até hoje, por privar a população periférica da informação e inovações tecnológicas proporcionadas pela internet.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do acesso democrático à internet é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Portanto, cabe ao Governo Federal direcionar recursos para regiões marginalizadas, por meio da definição de uma agenda econômica que democratize o acesso à informação, como previsto da Carta Magna, a fim de promover o desenvolvimento social igualitário. Além disso, cabe ao Ministério da Economia destinar verbas para a implantação da rede nas periferias por meio de projetos orçamentários, com o fito de democratizar o acesso a esse recurso. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da democracia no âmbito informacional.