O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 30/04/2020

‘‘Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo’’. Tal frase foi promulgada pelo pedagogo e sociólogo brasileiro Paulo Freire, e sintetiza precisamente o papel da educação na criação de um mundo melhor. Entretanto, se analisada a questão da internet no Brasil, percebe-se um cenário que difere desse ideal, por contra principalmente de um governo que falha em garantir a democratização da internet, ao mesmo tempo que contribui para um mercado de provedores elitista e monopolista.

De início, vale ressaltar o quanto o acesso à internet pode impactar na educação. É através deste recurso que alunos encontram soluções para as suas dúvidas, entram em contato com diferentes ferramentas e materiais de aprendizagem, descobrem novas culturas, etc. Entretanto, de acordo com uma pesquisa feita pela TIC Domicílios em 2018, 42% das casas brasileiras não possuem um computador. Ademais, é cabível ressaltar que o próprio governo falha em investir para disponibilizar ferramentas digitais para escolas com alunos menos favorecidos, fazendo com que estes não tenham o mínimo de contato com a internet, visto que como já citado, não possuem computadores em casa. Tal cenário aumenta a desigualdade entre os mais pobres e os mais favorecidos, já que estes terão menos oportunidades educacionais, e por consequência, trabalhos menos dignos, na medida em que o mundo globalizado atual preza principalmente pelo conhecimento e por capacidades técnicas.

Ademais, é cabível citar que certas ações governamentais acarretam drasticamente no problema. Por exemplo, o governo dificulta a criação de empresas de provedores de internet com burocracias excessivas e impostos exorbitantes, tornando este setor constituído de pouquíssimas empresas, ocasionando numa baixa concorrência, e que, de acordo com as teorias econômicas do filósofo inglês Adam Smith, resulta em aumentos de preços e entrega de serviços precários, pois as poucas empresas presentes no mercado controlam os preços e a forma como o serviços são disponibilizados, visto que não precisam competir com várias outras companhias. Se mostra óbvio como este cenário impacta os menos favorecidos e perpétua a desigualdade, visto que estes terão que pagar mais para ter acesso à internet, à medida que receberão serviços mais precários.

Diante de tal cenário, faz-se mister que medidas sejam executadas para melhorá-lo. Uma delas pode ser tomada pelo poder legislativo, por meio de leis que facilitem a criação de empresas de internet, para que exista uma livre concorrência e o mercado possa evoluir, garantindo qualidade e menores preços. Também é cabível que o Ministério da Cidadania invista em computadores para escolas menos favorecidas, tornando a internet mais democrática e diminuindo a desiguldade no acesso dela.