O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 01/05/2020
Ainda no século XX, o Brasil contava com uma dualidade social: estudantes de elite, ao terem contato com ideias da revolução francesa, demonstraram o poder que o estrato social tem sobre o conhecimento: àqueles que detinham o capital, era destinada a educação de qualidade. Na sociedade brasileira contemporânea, as desigualdades se refletem ao acesso à internet, o qual contempla apenas 39% dos domicílios brasileiros. Tal problemática assenta-se sobre a falta de políticas públicas voltadas à inclusão digital e ao preço a ser pago pelo acesso à essa ferramenta contemporânea.
Inicialmente, cabe expor que, segundo dados da UNICEF, o acesso a internet configura uma melhoria na qualidade da educação e garante aos jovens soluções aos seus problemas ao oferecer informações rápida e facilmente. Nesse sentido, a falta de políticas públicas promovidas pelo Estado à inclusão de cidadãos à essa ferramenta contemporânea restringe-os de tais benefícios, não permitindo, assim, que tenham familiaridade às habilidades digitais, que mostram-se imprescindíveis ao convívio social. Como conseguinte, a sensação de alheamento aos recursos virtuais reforça a desigualdade entre esferas sociais.
Em segunda análise, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser instrumento da democracia não pode ser convertido em instrumento de opressão”. Assim sendo, fica evidente que a renda é um fator determinante: segundo o IBGE, apenas 32,7% das pessoas com renda menor que um quarto do salário mínimo acessaram a internet. Com efeito, tem-se que o meio digital, que tem como princípio a igualdade e homogeneização do poder, marginaliza pessoas sem o capital para acessá-lo, gerando, como resultado, uma disparidade de oportunidades às diferentes classes sociais.
Por fim, com a finalidade de restaurar o ideal democrático prometido pelo acesso à internet, cabe ao Estado, na forma do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações a criação de um programa que vise o estabelecimento de centros com recursos tecnológicos em regiões com alta concentração de famílias de baixa renda, que, com base no porte capital, ofereça aos contemplados pelo programa carteirinhas de identificação e permita aos usuários o pleno uso do meio cibernético.