O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 08/05/2020
Nos séculos XVII e XVIII, majoritariamente, só era culto e letrado no Brasil quem possuía recursos para estudar, mas não no território nacional. Desse modo, ter tal oportunidade se tornou um enorme marcador de desigualdade social acentuada. Esse cenário, mesmo que pouco, mudou, por cada vez mais se popularizar o ensino nacional, mesmo que básico. Correspondentemente, na realidade atual, o acesso à internet possibilita as pessoas que, antes sairiam do país para obter estudo, desfrutem de possibilidades que não estão disponíveis a toda população. Portanto, a acentuada desigualdade social se torna ainda maior pela falta de acesso à internet no Brasil.
É indispensável reconhecer que os alunos que possuem acesso ao ensino online, podem absorver um conteúdo que outros estudantes não têm como conseguir. Na situação em que o país se encontra no ano de 2020, por conta da pandemia de COVID-19, todas as escolas estão fechadas. Porém os alunos de escolas mais elitizadas possuem ensino não presencial, por meio de plataformas virtuais. Essa falta de ensino por uma parte dos estudantes será crucialmente decisiva quando alunos de realidades distintas forem competir, em vestibulares por exemplo. Tal situação acentua ainda mais o abismo de diferenças sociais e afeta drasticamente a qualidade de vida dos que não possuem oportunidades de estudo no momento.
Outra situação paralela é a de que parte dos profissionais do mercado de trabalho também enfrentam problemas quanto ao acesso tecnológico. Moradores de zonas carentes de conexão à rede mundial de computadores são impossibilitados de seguir com seus ofícios de forma virtual. De acordo com a ONU, o acesso à internet é um direito humano, porque com ele se torna possível obter informação, aprendizado profissional, conhecimento acadêmico, comunicação, entretenimento entre outros benefícios. Analogamente, não só o acesso, como também a qualidade de conexão é importante, pelo fato de que isso pode afetar de maneira negativa a qualidade do trabalho ou do aprendizado.
À vista disso, afim de abrandar esses problemas, órgãos governamentais responsáveis, tal qual o Ministério da Educação, devem tomar medidas como o adiamento de vestibulares, Fuvest, Unesp e o ENEM, por exemplo. Já que a enorme, ainda maior do que antes, diferença de ensino pode “desqualificar” estudantes sem oportunidades. Além disso, iniciativas privadas advindas dos provedores de internet, devem ser cobradas, como o fornecimento de uma constância de qualidade na conexão, sem um aumento exorbitante nos custos. Uma vez que medidas assim forem tomadas, a situação de quatro séculos atrás pode ficar apenas no passado.