O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 01/05/2020
A constituição federal promulgada em 1988 garante educação a todos. Contudo, com a evolução dos recursos tecnológicos utilizados, a utilização da Ead (educação a distância) torna-se cada vez mais frequente. Porém, em um país com desigualdades sociais tão profundas, utilizar-se de recursos que demanda de certa estrutura para ter acesso, é fazer cumprir o que a constituição determina? Não, a resposta é simples, sua solução no entanto demanda entender a complexidade da desigualdade brasileira.
Diante disso, é fulcral informar que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet, isso é 25% da população do país. Além disso, a situação é agravada nas áreas rurais onde quase 21% das pessoas não tem disponibilidade de internet. Apenas esses dados são o suficiente para ir de encontro ao discurso de que utilizar de recursos como o ead é democratizar o ensino, mas excluir um quarto de sua população não é democratizar.
Nesse contexto, outro ponto importante é a faixa etária que vai utilizar-se deste recurso, pois estudar em casa demanda disciplina e responsabilidade que não é encontrada em todas as idades. Com isso, não é possível cobrar que uma criança de 10 anos tenha a mesma autonomia pedagógica que um jovem de 18, logo o ead na educação básica pode não ser a melhor estratégia. Assim como, é importante ressaltar que os pais dessas crianças teriam papel essencial e necessitariam de uma capacitação, pois muitos também não tiveram acesso a esse tipo de recurso.
Infere-se portanto, que faz-se imperativo que o Estado adote iniciativas para democratização da internet e do ead. Como exemplo: programa de internet gratuita para famílias com renda de até 2 salários mínimos, aproximação das escolas com os pais, promovendo palestras e cursos sobre educação a distância, utilizar o ead a partir do ensino médio. Garantir o respeito a constituição é garantir que todos tenham acesso a educação.