O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 05/05/2020
No primeiro semestre de 2018, a Rede Globo lançou uma campanha estimulando que as pessoas enviassem vídeos à emissora, respondendo à seguinte pergunta: “que Brasil você quer para o futuro”. Entre outras reivindicações, uma espectadora respondeu que gostaria de um país com uma maior disseminação do acesso à internet. Essa afirmação evidencia um novo problema social enfrentado pelos brasileiros na modernidade: a exclusão digital, que decorre tanto da indisponibilidade de meios físicos, quanto da escassez de treinamento a usuários hipossuficientes.
Com efeito, 39% dos brasileiros, segundo dados da Agência Brasil, ainda não dispõem de computadores e de acesso à internet. Esse problema é reportado na obra “A Era da Informação”, de Manuel Castells, que reporta uma situação correlata ainda mais grave: indivíduos que têm acesso à tecnologia, mas que não são capazes de utilizá-la em seu benefício. Infelizmente, o produto desse fenômeno é a exclusão digital, que empurra esses cidadãos para as margens da sociedade tecnológica moderna. Essas pessoas são privadas do acesso à informação e de todas as possibilidades que o ambiente virtual disponibiliza, como debates públicos “online”, plataformas de educação e até mesmo serviços governamentais, como o agendamento digital em órgãos públicos e a inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio.Felizmente, a preocupação da sociedade em relação ao tema cresceu nos últimos anos e avanços já são visíveis no cenário nacional.
Ainda que bastante elogiável, essa providência não é uma solução definitiva, de vez que a aquisição de aparelhos e de banda larga é apenas o primeiro passo para que as pessoas sejam inseridas na realidade tecnológica. Uma verdadeira inclusão digital demanda que os indivíduos tenham a capacidade de utilizar as ferramentas tecnológicas de maneira racional, de forma a facilitar as atividades cotidianas e melhorar suas condições de vida. De fato, a conquista da cidadania por meio do uso da tecnologia é um desafio a ser enfrentado e, não por outro motivo, foi um dos objetivos estabelecidos pela ONU, em setembro de 2015, na “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.
Nesse sentido, deve o Ministério da Ciência e da Tecnologia, instituição vinculada ao Poder Executivo e responsável por assegurar os direitos constitucionais de acesso à tecnologia a todos os cidadãos, por meio da destinação de maior parcela de seu orçamento público, construir centros que disponibilizem computadores e acesso à internet, contando com a presença de profissionais especializados para ensinar à população a manusear as ferramentas virtuais, otimizando seu uso para trazer benefícios aos usuários.