O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 06/05/2020

No século XX, Jurgen Habermas, grande filósofo e sociólogo alemão, em seu livro, A Inclusão do Outro, reflete a necessidade de se conquistar o avanço do progresso social por meio da inclusão social, e não pela segregação socioespacial. Contemporaneamente, no Brasil, as ideias desenvolvidas por Habermas não são aplicadas de diversas formas, principalmente pela falta de acesso à internet por grande parte da população, sendo mais acentuada em comunidades mais carentes e em cidades  que estão longe das grandes capitais, portanto, negando um direito fundamental a milhões de brasileiros. Com efeito, a exclusão digital ocorre pela falta de doações e incentivos do Governo a pessoas sem acesso à rede, e pela omissão das grandes empresas de telecomunicações em diminuírem os preços dos seus serviços a famílias mais necessitadas e por não aumentarem seu raio de atuação em cidades mais isoladas do país.

Em uma primeira análise, sob a ótica social, a internet permite a circulação em massa da educação, como em plataformas de ensino a distância, que estão sendo utilizadas durante o período de quarentena. Segundo Paulo Freire, em seu livro, A Pedagogia do Oprimido, admitu que a educação gera a consciência de igualdade e liberdade entre os opressores e os oprimidos. Recentemente, a relação entre oprimido e opressor ainda se mantém ativa no sistema, e a população pobre sem acesso à rede digital continuam sendo os oprimidos, sem projeção de igualdade.

Ademais, a negligência das grandes corporações na área de telecomunicações dificulta o processo de democratização do direito à internet. Isso ocorre devido a histórica postura capitalista destas instituições, que visam somente o lucro que as capitais dos estados podem proporcionar, até mesmo precificando os pacotes de dados, elitizando a internet, com isso tornando impossível que a parcela mais pobre da população tenha acesso à web. Desse modo, perpetuando a desigualdade social presente no Brasil.

Em resumo, a falta de doações e incentivos do governo em paralelo ao desinteresse das empresas em facilitarem a inclusão digital, são fatores que atravancam o pleno acesso à internet no país. Por esse motivo, o Governo Federal, com ajuda das Secretarias Estaduais, deve inserir em suas pautas programas de auxílio digital, por meio de pesquisas e indicações de especialistas na área de tecnologia, para a população das camadas mais pobres obterem acesso aos computadores, e as compahias de telecomunicações, com os devidos incentivos estatais, como exemplo a diminuição dos impostos, precisam diminuir o preço dos pacotes de dados e expandir a conexão de internet para o interior do Brasil. Dessarte, as ideias de Habermas poderão dar um passo à frente de se tornarem realidade.