O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 07/05/2020

“Black Mirror” é uma série americana, que retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade futura. Ao longo de seus episódios, é demonstrada a dependência da tecnologia que os indivíduos dessa sociedade têm. Fora das telas, as tecnologias, por exemplo a internet, se popularizam rapidamente na sociedade atual, tornando-se essenciais no cotidiano de diversas populações. Apesar disso, o acesso à elas é divergente para cada classe social, refletindo as desigualdades sociais ainda muito recorrentes no Brasil. Isso decorre, da construção de um discurso elitista e da exclusão de classes  inferiores dos privilégios tecnológicos.

Em primeira análise, é evidente a construção de um discurso que caracteriza as tecnologias, por exemplo a internet, como um recurso destinado à elite. Nessa perspectiva, segundo Michel Focault, filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de coerção e controle, que aumentam a subordinação. Sendo assim, constata-se que o discurso elitista introduzido na sociedade moldou os cidadãos a acreditarem que a internet, e outras tecnologias, deve se restringir a uma parcela da população, tornando-as privilégios inalcançáveis aos demais indivíduos. Desse modo, tal concepção  do discurso referente aos privilégios tecnológicos reforça a exclusão social e subordinação das classes inferiores às elites.

Paralelo a isso, vale também ressaltar que tal exclusão social é proporcionada pela falta de acesso à internet e outras tecnologias pelos menos favorecidos, o que ocorre em grande parte sociedade brasileira, fortalecendo as desigualdades sociais no país. Segundo pesquisas do IBGE, analisadas pelo TIC Domicílios, em 2018 mais de 30% da população brasileira não tinha acesso à internet. A partir disso, é notório que muitos  cidadãos não usufruem das tecnologias tão necessárias a sociedade atual. Dessa maneira, são excluídos de uma gama de oportunidades, por exemplo de adquirir conhecimento online e o acesso rápido a informação, que são proporcionadas pelas redes, assim como, também de atividades corriqueiras da sociedade brasileira que usa internet para interação entre os indivíduos.

Portanto é mister que o Estado tome providências para resolver o problema. Dessa forma, para amenizar as desigualdades proporcionadas pelo divergente acesso à internet, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, inovações e comunicação (MCTIC) crie, por meio de verbas governamentais, o programa  “Tecnologia para todos”. Esse, instalaria redes de internet em ambientes de acesso comunitários, como escolas, praças e bibliotecas públicas, primeiramente das cidades com menor índice de acesso à internet até se expandir as demais cidades. Somente assim, a exclusão social por conta dos privilégios tecnológicos deixará de ser tão presente na sociedade brasileira.