O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 09/05/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um ser se mobiliza com o problema do outro. Em contra partida, quando se observa o acesso à internet, no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela desigualdade no acesso aos meios, seja pela falta de investimentos públicos.

Em primeira análise, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a desigualdade rompe essa harmonia, haja vista que 30% da população não tem alcance à internet, dado apresentado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic).

Além disso, destaca-se a falta de investimentos públicos como impulsor do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a falta de investimentos, sobretudo em estrutura, é prejudicial e atinge principalmente a área rural, o que resultou no fechamento de mais de duzentas escolas rurais nos últimos dez anos, segundo o Censo Escolar. Dessa forma, escolas, praças e bibliotecas de uso público, que não apresentam computadores, internet e outras peças necessárias, retomam problemas na expansão do acesso, devido à influência que esses espaços apresentam na sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para contornar o problema. Destarte, promovendo o combate à desigualdade do acesso e à falta de investimento em estrutura, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) deve criar projetos que levem estruturas às cidades do Brasil, por meio da cobertura de internet dos principais espaços públicos. Outrossim, o Ministério da Cidadania promoveria auxílio financeiro às famílias de baixa renda que moram distantes de espaços com internet. Dessa maneira, poder-se-á obter a democratização integral do acesso à internet.