O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 09/05/2020

O meio técnico-científico-informacional, proposto pelo geógrafo Milton Santos, é caracterizado por ampla influência tecnológica nas atividades sociais, sendo a internet parte fundamental desse processo. Nesse contexto, para quem tem a rede mundial de computadores ao acesso de um clique, é comum pensar que isso está presente no cotidiano de todos. No entanto, parte considerável da população brasileira não faz parte desse espectro, o que agrava a exclusão social e põe em risco o caráter democrático do país.

A princípio, é necessário destacar os ganhos que a internet trouxe para a vida das pessoas. Nesse sentido, com uma conexão, é possível comunicar-se com qualquer parte do mundo, aprender sobre assuntos novos e se informar de modo instantâneo sobre todos os acontecimentos, o que é um grande progresso. Entretanto, enquanto alguns acompanham esse desenvolvimento, outros ficam cada vez mais excluídos por não terem acesso à internet e a tudo que ela proporciona. A esse respeito, o sociólogo Jürgen Habermas afirmou que, com frequência, o progresso avança e a ética fica para trás. Logo, seguindo a linha de raciocínio de Habermas, é imprescindível resgatar a ética cidadã e assegurar que todos caminhem juntos com igualdade de oportunidades.

Somado a isso, convém salientar que a exclusão digital vai de encontro aos preceitos democráticos. Sob essa perspectiva, é importante pensar que a internet é condição para realizar muitas atividades sociais, como a inscrição em vestibulares, a matrícula em Universidades e até o cadastramento em programas assistenciais do Governo. Por conseguinte, se o indivíduo não tem acesso à rede, ele fica impedido ou tem dificuldade de participar dessas questões. Com efeito, a filósofa Marilena Chauí aponta que, para existir democracia, deve existir igualdade, liberdade e participação de todos em qualquer esfera social, o que, claramente, não é observado nesse caso. Infere-se, pois, que, para o Brasil fazer jus ao seu perfil democrático, a disparidade entre on-line e off-line tem que ser diminuída.

Fica claro, portanto, que o país enfrenta problemas no que tange ao acesso à internet. Por conta disso, o Ministério do Desenvolvimento Social deve criar um programa que proporcione conexão à rede para as pessoas. Isso pode ser feito por meio da instalação de salas com computadores em locais de grande circulação como rodoviárias e da disponibilização de “wi-fi” em espaços públicos como praças e parques, a fim de fazer com que os indivíduos não sejam excluídos e possam usufruir das atividades como internautas. Assim, o meio técnico-científico-informacional será marcado não apenas pelo avanço tecnológico e pelo progresso, mas também pela igualdade democrática.